Mais unidades produtivas em área menor

Enquanto alguns produtores investem em novos cultivos e buscam alternativas para permanecerem na área rural, muitos estão abandonando a atividade.

O espaço ocupado pela produção agropecuária vem caindo em Porto Alegre. Hoje, são 7,34 mil hectares, conforme o Censo Agropecuário 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), redução de 20,48% sobre o Censo 2006. Ao mesmo tempo, pela pesquisa do IBGE cresceu o número de estabelecimentos agropecuários, passando de 341, em 2006, para 384 em 2017, indicando redução no tamanho das unidades.

Para o coordenador técnico no Rio Grande do Sul do Censo Agropecuário, Cláudio Franco Sant"Anna, houve uma expansão imobiliária para a Zona Sul. "Há um uso diferente do solo, uma migração da produção agrícola para construção civil. A atividade rural também conta com menos mão de obra contratada e da própria família, com a saída dos jovens.

Assim, avança a idade média do produtor, que ainda tem de lidar com a questão da insegurança", detalha.

"Muitos desistem da agricultura em razão das dificuldades, é uma atividade mais insalubre, sujeita à umidade, à insolação, com trabalho penoso. Por isso, está centrada nos membros da família, mesmo que muitos jovens busquem outras atividades, diicultando a sucessão", observa Luís Paulo Vieira Ramos, da Emater.

Os irmãos Luiz Carlos Rossato, 70 anos, e Rui Rossato, 69 anos, já não têm a mesma disposição para passar o dia abaixo de sol, tratando os pomares, mesmo com ajuda de trator, e diminuíram a área de cultivo nos últimos anos, vendendo uma chácara de 15

hectares onde plantavam pêssego.

Ambos aposentados, cultivam ameixa pela menor exigência de cuidados, além de criarem gado bovino e plantarem aipim e feijão para consumo próprio no sítio de nove hectares da família, no bairro Extrema.

Mesmo assim, não descuidam da produção. No inverno passado, foram plantadas 200 mudas de ameixa para reposição, que, hoje, ultrapassa 3 mil árvores, distribuídas em seis hectares. "Produzíamos muito mais. Tínhamos pomar de pêssego, mas, agora, temos apenas algumas mudas.

Aqui, havia melão, pimentão, repolho etc.", conta Luiz.

A aposta é na continuidade por meio do ilho de Luiz, Carlos Eduardo, de 37 anos. Há pouco mais de um ano, começou a plantar maracujá, e, no ano passado, implantou as primeiras mudas de pitaia, acerola e banana, e sementes de milho.

Mas o tempo para o cuidado dos pomares é pouco. Carlos se divide entre o trabalho na cidade, onde atua em uma empresa de engenharia, e o apoio nas atividades do campo. Hoje, a fonte de renda da propriedade é a produção de ameixas, na qual Luiz cuida do pomar e Rui, da venda.

Se depender dos projetos de Carlos, a propriedade não apenas seguirá como vai mudar de perfil. Excetuando-se a ameixa, os demais cultivos não utilizam agrotóxicos. A ideia é fazer a conversão agroecológica aos poucos.

Para isso, o sítio conta com a assessoria técnica do escritório municipal da Emater.

Fonte: Jornal do Comércio