Mais recursos para máquinas agrícolas

Alan Santos/PR

Bolsonaro pediu ao presidente do BB que reduza as taxas, mas não intervirá

Diante do esgotamento dos recursos previstos no Plano Safra 2018/19, o presidente Jair Bolsonaro anunciou ontem mais R$ 1,5 bilhão em crédito rural ainda para a atual ano-agrícola, que terminará em junho. O reforço foi anunciado na abertura da Agrishow, maior feira agropecuária do país, em Ribeirão Preto (SP), e serão destinados para investimentos no campo, sobretudo para a compra de maquinário.

Desse montante, mais de R$ 500 milhões serão recursos complementares para o Moderfrota, principal linha de crédito subsidiado do país voltada para a aquisição de máquinas como tratores e colheitadeiras – os R$ 8,9 bilhões inicialmente reservados para o Moderfrota na temporada praticamente já acabaram. "O orçamento está apertadíssimo, mas conseguimos raspar o tacho do Plano Safra", afirmou a ministra da Agricultura Tereza Cristina, no mesmo evento. "Quero falar da boa vontade que o ministro Paulo Guedes [Economia] está tendo com o agronegócio. E já estamos nas tratativas para o Plano Safra 2019/20, que vamos lançar em 12 de junho", disse ela.

Diante da forte demanda, as principais linhas do atual Plano Safra com juros subsidiados chegaram ao fim ou estão prestes a secar dois meses antes do término do ano-agrícola. O próprio Moderfrota chegou a ter operações suspensas pelo BNDES, reabertas agora com um adicional de R$ 536 milhões.

Fora do Moderfrota, o presidente Bolsonaro também aproveitou a plateia repleta de produtores e executivos dos principais fabricantes para anunciar mais R$ 1 bilhão para a compra de máquinas a serem liberados pelo Banco do Brasil.

Desse montante, R$ 500 milhões já estavam sendo ofertados e vêm sendo disponibilizados há algumas semanas a 7,5% ao ano, mesma taxa de juros do Moderfrota. Já a outra metade ainda será liberada, mas a taxas livres. A tendência é que essa parte do crédito tenha taxa de cerca de 10% ao ano – pouco menor que a média dos financiamentos a juros livres do BB atualmente, que chega a 10,5%, disse uma fonte do banco.

"Eu apenas apelo, Rubem [Novaes, presidente do BB], me permite fazer uma brincadeira aqui. Eu apenas apelo para o seu coração, para o seu patriotismo, para que esses juros, tendo em vista você parecer ser um cristão de verdade, caiam um pouquinho mais. Tenho certeza de que as nossas orações tocarão seu coração", afirmou Jair Bolsonaro.

A declaração levou o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, a garantir posteriormente que o presidente "não quer nem intervirá em qualquer aspecto que for relacionado a juros" dos bancos estatais. A declaração foi bastante comentada no mercado, mas não teve impacto nas ações do BB.

Apesar do "apelo" presidencial, também não há qualquer indicação do governo, sobretudo da equipe econômica, que será possível baixar as taxas de juros do próximo Plano Safra (2019/20).

Na Agrishow, o crédito adicional anunciado surtiu efeito. "Os produtores estavam esperando o governo dar alguma sinalização, mas o anúncio teve efeito em horas. Tínhamos muitas vendas represadas nas concessionárias, algumas que já duravam três meses", disse Eduardo Nunes, gerente nacional de vendas da marca Massey Fergusson.

Ele acredita que os recursos adicionais serão suficientes para atender à demanda da Agrishow, mas tem dúvidas sobre o comportamento de mercado no período final do presente ciclo.

Bolsonaro também garantiu na feira um orçamento de R$ 1 bilhão para o programa de subvenção ao prêmio do seguro rural no próximo Plano Safra, pedido frequente da ministra Tereza Cristina e do setor de agronegócios que vem encontrando resistências na equipe econômica por causa de dificuldades orçamentárias. Para 2019, foram reservados R$ 440,5 milhões para o programa, mas esses recursos não estão imunes a contingenciamentos. (Colaboraram Fabio Murakawa e Carla Araújo)

Por Cristiano Zaia | De Ribeirão Preto (SP)

Fonte : Valor

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