Mais polos de fraude desmontados

Operação Leite Compen$ado 2 prendeu três em Rondinha e vereador em Horizontina por suspeita de adulteração do leite

Três pessoas foram presas ontem acusadas de participar da fraude do leite na Operação Leite Compensado 2, desencadeada pelo Ministério Público com o apoio do Ministério da Agricultura (Mapa) e Brigada Militar, que investiga a adulteração do produto a partir da adição de água e ureia. Foram presos preventivamente os empresários do ramo de transporte de leite _- Antenor Pedro Signor e Adelar Roque Signor – e um motorista da empresa, Odirlei Fogalli. A propriedade da família, onde um deles foi preso, apresentou indícios de ser o local onde seria feita a mistura de ureia e água, antes do recolhimento do leite junto aos produtores. No local, foram apreendidos três caminhões e retiradas amostras para análise.

Na noite de terça-feira, em Horizontina, foi preso também o vereador Larri Lauri Jappe que, na primeira fase da operação, teve o pedido de prisão negado pela Justiça. ‘Desta vez, a prisão foi pelo motivo de haver um indício iminente de fuga do parlamentar, que já havia pedido licença da Câmara de Vereadores e do partido e, em uma conversa por telefone interceptada, afirmava que se ‘a coisa preteasse, atravessava a ponte na Argentina’, explicou o promotor Mauro Rockenbach. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Boa Vista do Buricá, na comarca de Três de Maio. Um quinto mandado foi expedido para o réu Daniel Riet Villanova, já recolhido ao presídio de Espumoso por suspeita de envolvimento no esquema de Ibirubá, e que teria ligações com os fraudadores de Rondinha.

Segundo Rockenbach, a empresa transportadora de Rondinha encaminhava o leite para o posto de resfriamento da Marasca, em Selbach, local interditado na primeira ação do MP. Entre os meses de fevereiro e maio, o produto transportado por esta empresa foi analisado 11 vezes pelo Ministério da Agricultura, com a confirmação positiva, a partir de laudos, da presença de formol no leite cru. A última fiscalização foi no dia 8 de maio, data em que foi desencadeada a operação Leite Compen$ado. ‘De alguma, forma eles souberam da operação e, ao invés de entregar o leite no local de costume, em Selbach, desviaram a rota, mas acabaram sendo surpreendidos em Taquara pelo Ministério da Agricultura’, disse Rockenbach. Neste período de pouco mais de quatro meses, foram transportados 113 mil litros de leite cru comprovadamente adulterados e impróprios para o consumo da população. O produto tinha como destino a cooperativa paranaense Confepar.

Durante a ação realizada na propriedade rural em Rondinha, também foram apreendidas notas fiscais que comprovam a aquisição de ureia e planilhas com os dados do recolhimento do produto alimentício junto a produtores. Com Adelar Roque Signor, foi recolhida uma arma calibre 36 sem registro. O promotor voltou a afirmar que todos os cinco núcleos (Ibirubá, Guaporé, Horizontina, Rondinha, Três de Maio) agiam de forma independente e que apenas a fórmula usada na adulteração do produto era a mesma.

Fonte: Correio do Povo

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