Mais Ovinos completa dois anos com saldo positivo

Rebanho gaúcho ganhou 300 mil novos animais entre 2010 e 2012

Ana Esteves

ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC

Schwab comemora programa para repovoar campos gaúchos

Schwab comemora programa para repovoar campos gaúchos

O programa Mais Ovinos no Campo chega ao seu segundo aniversário com um saldo positivo. O rebanho gaúcho contou com incremento de quase 300 mil cabeças, saltando de 3,73 milhões, registradas no final de 2010, para mais de 4 milhões, em dezembro de 2012. A natalidade também aumentou de uma média de 700 mil cordeiros ao ano para 940 mil. Os incentivos do programa para os produtores que optassem por manter matrizes no campo são apontados como principais motivadores para esse incremento.  “A natalidade aumentou pelo fato de as matrizes terem sido mantidas a campo. A taxa de abate de fêmeas, que há dois anos era 82% maior do que a de machos, caiu para 19% em 2011 e fechou 2012 bem abaixo: foram 92 mil fêmeas para 105 mil machos”, comemora o coordenador do programa, José Galdino.
O Mais Ovinos já beneficiou mais de 1.981 produtores, atingindo o valor de R$ 46,1 milhões, sendo R$ 22,6 milhões para retenção e R$ 23,4 para aquisição de reprodutores. Com estes financiamentos, foram retidas pelos produtores mais de 189 mil fêmeas e adquiridos 99,2 mil animais, totalizando 288,4 animais entre as duas linhas de crédito. “O valor referente à equalização dos juros do programa de retenção de fêmeas ultrapassa  R$ 1,8 milhão, valor totalmente aplicado na ovinocultura”, informa o coordenador.
Os reflexos desses números são vistos a campo e também nas feiras e remates por todo o Estado. Foi o caso da Feovelha. Encerrada no domingo em Pinheiro Machado, fechou este ano com um faturamento de R$ 1,54 milhão, enquanto que em 2012 a comercialização alcançou a cifra de R$ 1,15 milhão, o que representa um acréscimo de 33%. “Esses resultados demonstram mais um ano excelente para a ovinocultura, resultado do mercado aquecido, o que tem levado a uma retomada do rebanho, com novos criadores ingressando na atividade pelas boas oportunidades de negócios”, afirma a presidente do Sindicato Rural de Pinheiro Machado – entidade organizadora da Feovelha, Jaqueline Maciel. As vendas no Rematão registraram 5.484 animais, com média de preços de R$ 188,45. Para Jaqueline, o resultado das vendas também é reflexo do programa Mais Ovinos no Campo, pelas facilidades que oferece para a aquisição de reprodutores. “O foco dos criadores é justamente a compra de ventres e reprodutores de alta genética, para garantir resultados positivos a campo”, disse a dirigente.
Nos remates das raças Ideal e Corriedale, realizados no sábado, foram negociados 198 animais, com média geral de R$ 1.509,00. No último remate, realizado no domingo, envolvendo as raças de carne, foram vendidos 143 animais, com médias de R$ 1.497,00.

Arco comemora números e critica informalidade

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), Paulo Schwab, também comemora o resultado do programa, especialmente como uma alternativa para repovoar os campos gaúchos e atender à demanda por carne de cordeiro vinda não só de consumidores gaúchos, mas de todo o Brasil. “Recebemos inclusive ofertas de compradores do Oriente Médio, mas não temos como atender. Eles nos demandaram 500 animais no primeiro ano e 2 mil a partir do segundo ano”, conta Schwab.
O dirigente diz que desde 1970 o rebanho ovino gaúcho se mantinha com o mesmo número de cabeças, tendo dado um salto depois da criação do Mais Ovinos. “Nos tempos áureos da ovinocultura gaúcha, já tivemos 13 milhões de cabeças. Hoje, passamos dos 4 milhões, mas ainda há muito a ampliar”, afirmou. A baixa oferta obriga que os gaúchos importem carne ovina do Uruguai: em 2012, foram 7 mil toneladas oriundas do país vizinho.  Segundo o dirigente, o rebanho ovino brasileiro é de 17 milhões de cabeças, e o consumo per capita de carne de cordeiro fica em torno de 400 gramas.
Segundo Schwab, um dos grandes gargalos do setor se concentra no problema da informalidade do abate, processamento e comercialização da carne ovina. O dirigente revela que, no Brasil, 90% do mercado são de abates informais e apenas 10% atuam na formalidade. No Rio Grande do Sul, o cenário é um pouco melhor, mas mesmo assim são 70% de abates informais e 30% por frigoríficos. “Fica difícil convencer o produtor a deixar a informalidade à medida que a remuneração acaba sendo melhor”, avalia. Para o dirigente, seria preciso que houvesse desoneração da atividade, a exemplo que ocorre com os setores avícola e suinícola, os quais foram desobrigados a contribuir com PIS/Cofins. “São 9,25% desses impostos, um montante bem interessante para os produtores, Além disso, seriam importantes incentivos como redução do ICMS, para a atividade se encaixar,” informa Schwab.

Fonte: Jornal do Comércio

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