Mais de R$ 2,5 bi no combate à seca

O Ministério da Integração Nacional, a pedido da presidente Dilma Rousseff, vai liberar mais recursos para os estados do semiárido brasileiro, afetados por uma das secas mais severas dos últimos 40 anos. Até o momento, 769 municípios nordestinos tiveram situação de emergência reconhecida pela pasta. Nos próximos dias, pequenos agricultores e lojistas da região poderão recorrer ao crédito extraordinário de R$ 1 bilhão disponível no Banco do Nordeste. O governo federal ainda vai destinar R$ 800 milhões para garantir cisternas para as famílias beneficiadas pelo programa Água para Todos, além de R$ 700 milhões disponíveis para o seguro safra e a bolsa estiagem.

Ontem, o ministro da Integração, Fernando Bezerra, garantiu que a prioridade do governo federal é não deixar faltar água para consumo e uso nos estados atingidos pela seca. Atualmente, o Exército comanda 2,5 mil carros-pipa, que atuam em 6 mil municípios da Região Nordeste. A previsão é colocar à disposição das prefeituras mais 5 mil veículos. Segundo Bezerra, o ministério está normatizando as regras dos caminhões-pipa para evitar críticas sobre a falta de abastecimento.

As ações de combate à seca são encaradas por entidades ligadas ao semiárido brasileiro como fortalecimento do assistencialismo prestado pelo governo federal. O movimento Articulação no Semiárido (ASA) divulgou, ontem, um documento em que critica as medidas combativas da chamada "indústria da seca" e alerta para o uso eleitoral da água, prática bastante comum em épocas de dependência do carro-pipa, especialmente, em ano de eleição. O registro foi encaminhado à presidente Dilma Rousseff, a governantes estaduais e municipais.

Para o coronel Humberto Vianna, secretário nacional de Defesa Civil, a chamada "indústria da seca" não existe. Ele afirmou que as medidas emergenciais são necessárias no primeiro momento, mas que obras estruturantes também estão ocorrendo. "Vamos acabar com essa mística", garantiu. Segundo o ministro Fernando Bezerra, o PAC-2 vai investir R$ 17 bilhões em infraestrutura hídrica no semiárido brasileiro. Um dos projetos inclui a transposição do Rio São Francisco, que está prevista para terminar entre 2014 e 2015. A universalização do acesso à água também está entre as metas do governo até 2014.

Em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, José Magalhães de Sousa, representante da entidade de direitos humanos Cáritas Brasileira, ligada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), defendeu ações de longo prazo da Secretaria Nacional da Defesa Civil. "A assistência é um direito previsto na Constituição. Porém, essas situações acabam sendo usadas de forma demagógica e o estado usa uma quantidade maior de recursos públicos porque não há planejamento", argumentou José Magalhães.

Enchentes

Enquanto o Nordeste sofre com a estiagem, a Região Norte está debaixo d’água. O Ministério da Integração já reconheceu 68 municípios em estado de emergência. A situação do Rio Negro, no Amazonas, que está com o nível mais alto já registrado na história – 29,90m -, se agravou por causa da quantidade de lixo espalhado pelas ruas de Manaus. Em média, estão sendo retiradas por dia 25 toneladas de entulho das águas.

O secretário nacional de Defesa Civil ressaltou a parte de culpa do cidadão em eventos climáticos extremos, citando o lixo, o desmatamento e a ocupação ilegal como situações que colaboram para piorar o cenário brasileiro. As chuvas também têm causado transtornos à população de Salvador (BA). Porém, a situação da capital baiana é uma exceção, que, com 214 municípios oficialmente em situação de emergência, sofre com a estiagem no semiárido.

800 milhões

Verba destinada pelo governo para o Água para Todos

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF