Mais Alimentos ganhará status internacional

Programa vai financiar US$ 470 milhões para venda de máquinas a Gana, Zimbábue, Moçambique, Senegal e Cuba

Roberto Hunoff, de Caxias do Sul

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Acordo na área da mecanização agrícola vai ser feito na Expointer

Acordo na área da mecanização agrícola vai ser feito na Expointer

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, confirmou para este mês, durante a Expointer, em Esteio, a assinatura de memorando de entendimentos e de acordo interbancário com cinco governos da África para início do programa Mais Alimentos Internacional. Em encontro ontem com empresários na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, o ministro afirmou que o volume inicial a ser financiado é de US$ 470 milhões para venda de máquinas agrícolas para Gana, Zimbábue, Moçambique, Senegal e Cuba.
O objetivo do programa é contribuir para o processo de mecanização agrícola dos países africanos e para criar novas opções de mercado à indústria nacional. Pepe adiantou que outros 10 governos de países da América Latina e do Caribe, além da África, já manifestaram intenção de participar do programa, o que elevaria o valor financiado para mais de US$ 900 milhões.
O ministro destacou que, em cinco anos, o programa Mais Alimentos financiou no Brasil a compra de 56 mil tratores e 16 mil veículos para o transporte de carga, gerando R$ 11 bilhões em investimentos, dos quais R$ 5,7 bilhões para 420 empresas cadastradas. Também lembrou que esse volume teve origem na agricultura familiar considerada dinâmica, formada por mais de 400 mil produtores com renda suficiente para as compras.
Segundo ele, o próximo objetivo é agregar mais 1,2 milhão de produtores que estão em fase de desenvolvimento da agricultura familiar dinâmica. “As oportunidades de negócios que deverão surgir desse quadro serão de difícil mensuração.”
O titular do MDA ainda enfatizou os resultados do PAC 2 Equipamentos para a indústria automotiva. O governo, segundo ele, investiu R$ 5,8 bilhões na compra de máquinas doadas para prefeituras trabalharem em melhorias das estradas vicinais. No total, serão adquiridas mais de 13,7 mil unidades, entre retroescavadeiras, motoniveladoras, caminhões-caçamba, caminhões-pipa e pá-carregadeiras, beneficiando 5.061 cidades. O ministro adiantou, que após a entrega desses equipamentos, o governo pretende encaminhar a compra de patrulhas agrícolas, que também serão doadas aos municípios para auxiliar agricultores na melhoria da infraestrutura das propriedades e acessos.
O ministro esteve em Caxias do Sul para falar sobre as oportunidades para a indústria nacional a partir do desenvolvimento rural. Segundo ele, todas as políticas do governo federal voltadas para o meio rural, em especial para a agricultura familiar, visam a construir uma grande classe média no campo, fazendo com que os agricultores ascendam socialmente.
O ministro analisou os cenários da economia mundial e apresentou as condições macroeconômicas brasileiras. Para Pepe Vargas, o Brasil está preparado para enfrentar mais um capítulo da crise internacional, e afirmou que a estratégia de desenvolvimento colocada em prática no Brasil nos últimos 10 anos fortaleceu os fundamentos da economia interna. “Um país que não tem credibilidade na sua economia não conseguiria ser o quarto no ranking de atração de investimentos estrangeiros, como é hoje o Brasil”, acrescentou, ao criticar o pessimismo de alguns analistas em relação aos rumos econômicos do País. O ministro também observou que as três maiores despesas do governo federal, que são a Previdência, pessoal e dívida pública, estão controladas.
Pepe Vargas falou também a respeito das linhas de crédito à agricultura nacional. O Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), por exemplo, dispõe de R$ 25 bilhões para a safra 2013/2014, com taxas de juros que vão de 0,5% a 3,5% ao ano, dependendo do tipo de financiamento.

Fonte: Jornal do comércio |

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