Maioria das empresas de capital aberto ignora a sustentabilidade

Noventa e seis empresas, ou 21,43% das companhias com ações listadas na BM&FBovespa, publicam relatório de sustentabilidade ou similar. Outras 107 empresas (23,88%), apesar de não publicarem relatórios, enviaram comentários à bolsa sobre a política de sustentabilidade. As 245 restantes (54,69%) não divulgaram documentos nem comentam o tema.

O resultado faz parte de um levantamento divulgado no sábado, durante a Rio+20, pela BM&FBovespa, sobre a política de informação de sustentabilidade das empresas. Desenvolvido no modelo "relate ou explique", o trabalho consistiu na solicitação para que as companhias reportassem ou comunicassem porque não divulgam seus resultados relacionados às dimensões social, ambiental e de governança corporativa.

Segundo a diretora de Sustentabilidade da Bovespa, Sonia Favaretto, o resultado é positivo, considerando, principalmente, que hoje existe só uma recomendação para que as empresa reportem as suas políticas de sustentabilidade.

"Realmente as companhias estão mais abertas, estão valorizando mais essa agenda. E a recomendação atingiu o objetivo de fazer com que quem não publica se prepare para publicar", afirmou Sonia, que participou do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, evento da Rio+20, no Rio.

Segundo ela, um sinal de mudança do comportamento foi a participação de representantes da área de relações com investidores das companhias nos workshops realizados pela bolsa sobre o assunto em janeiro. Antes, quem participava desses encontros eram as equipes de comunicação ou sustentabilidade das empresas.

Apesar do resultado do levantamento, a diretora defende que não haja uma obrigação para que as empresas informem suas práticas de sustentabilidade. "As empresas devem aderir voluntariamente. Por isso fazemos apenas a recomendação", disse. Na opinião de Sonia, a publicação de relatórios de sustentabilidade ou documentos semelhantes será uma prática comum entre a grande parte das empresas em até dois anos.

A única bolsa de valores que faz esse tipo de exigência é a de Johannesburgo, na África do Sul. Segundo Sonia, as bolsas sul-africana e brasileira foram consideradas benchmark em termos de divulgação de informações sobre sustentabilidade, de acordo com um relatório feito pelo Pacto Global, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Programa das Nações Unidas de Princípio para o Investimento Responsável (PRI) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

A BM&F Bovespa também fez um levantamento apenas com 94 das 100 empresas que compõe o IBrX, índice composto pelas ações das empresas mais líquidas na bolsa. Nesse caso, 49 empresas (52,13%) publicaram relatório ou documento similar, 22 (23,4%) não publicaram, mas comentaram, e 23 (24,47%) não publicaram nem comentaram.

Sonia explicou também que é importante que as empresas passem a divulgar suas informações de sustentabilidade junto com o relatório financeiro anual de suas operações, entre fevereiro e março de cada ano. Dessa forma, os investidores e analistas terão como incluir o critério de sustentabilidade na valorização dos papéis da companhia.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/rio20/2717838/maioria-das-empresas-de-capital-aberto-ignora-sustentabilidade#ixzz1y9cKqxuC

Fonte: Valor |

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *