M. Cassab amplia produção em MS

O grupo paulista M. Cassab deu um passo importante para atender à crescente demanda por suplementos para nutrição de bovinos em Mato Grosso do Sul, onde a pecuária convive com intensa competição por terras e busca elevar a produtividade. A empresa inaugurou ontem, na capital Campo Grande, uma fábrica de rações que quintuplicará sua capacidade total de produção para o segmento de ruminantes.

Com aportes de R$ 15 milhões, a nova unidade terá capacidade para 5 mil toneladas de ração por mês, ante as mil toneladas da antiga fábrica do grupo no mesmo município, que será fechada. "A pecuária sul-mato-grossense está pressionada. Esse contexto nos deu a oportunidade de oferecer produtos para que ela seja mais competitiva", afirmou ao Valor o diretor de tecnologia animal do grupo, Modesto Moreira.

A unidade também marca a consolidação dos negócios de bovinos da M. Cassab. Quando a fábrica atingir sua capacidade máxima, os produtos voltados para ruminantes passarão a representar 30% do faturamento de seus negócios em nutrição animal, que alcançou R$ 306 milhões em 2011. Hoje, a fatia é de 23%. E revela, indiretamente, uma perda de fôlego do segmento avícola, que ainda representa 40% da área.

Segundo Moreira, a crise de custos que atingiu a produção de aves pode comprometer a sobrevivência de indústrias de pequeno e médio porte. Nesse cenário, afirma, a produção avícola deverá caminhar para uma consolidação ainda maior, o que reduziria o número de clientes da companhia, atualmente em torno de 120 pequenos e médio produtores. Grandes companhias como BRF – Brasil Foods e Marfrig mantêm fábricas próprias de rações.

Na fábrica de Campo Grande, que deverá atingir sua plena capacidade em 2015 – a unidade deve fechar este ano com produção mensal de 1,5 mil toneladas -, o carro-chefe será o sal mineral, composto por fosfato, cloreto de sódio e microminerais. Também haverá produção de sal proteinado, composto por farelo de soja, ureia e outros minerais, cuja demanda cresce na entressafra – geralmente de abril a agosto – por conta da degradação dos pastos.

Além desses dois produtos, a M. Cassab produzirá núcleos e premixes, voltados para o confinamento, sistema majoritariamente usado no período de seca. "Vamos fornecer produtos para o pecuarista reduzir o ciclo de produção e compensar a variação climática que afeta os pastos", resume o executivo. Com o avanço de culturas como soja, cana e celulose, Mato Grosso do Sul, com um rebanho de 21,5 milhões de cabeças, caiu da primeira para a quarta posição no ranking nacional de bovinos entre 2000 e 2011, segundo o IBGE.

Outro fator importante para a instalação da fábrica foi a logística. Isso porque as vendas dos produtos de nutrição animal da empresa dão rentabilidade apenas num raio máximo de 700 quilômetros, e na unidade paulistana a distância mínima já era de 500 quilômetros, segundo Moreira. Com a fábrica de Campo Grande, a M. Cassab conseguirá atender Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, oeste do Paraná e de São Paulo e leste de Goiás. Os produtos também poderão ser exportados para Bolívia e Paraguai.

Controlada pela família Cutait, a M. Cassab detém quatro fábricas de rações. Além da unidade de bovinos em Campo Grande, conta com uma unidade de produtos para aves e suínos em Cascavel (PR). A planta paranaense, comprada da Cargill em 2008, marcou o primeiro grande salto da empresa em nutrição animal.

Até então restrita à capital paulista, a produção de ração da empresa disputava a espaço na fábrica com os outros segmentos da M. Cassab, como nutrição humana e química. A empresa detém, ainda, uma fábrica de rações para animais domésticos em Valinhos (SP). Juntas, as quatro plantas são capazes de produzir 8,5 mil toneladas de produtos por mês.

Fundada em 1928, o grupo M. Cassab faturou R$ 850 milhões no ano passado. Além de atuar em nutrição e saúde animal, também tem negócios nas áreas de aditivos para nutrição humana, química fina, industrial, incorporação imobiliária, importação de pescados e brinquedos. Recentemente, também apostou na construção de um frigorífico de tilápia no interior de São Paulo.

O jornalista viajou a convite da empresa

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De Campo Grande (MS)

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