Luiz Claudio Paranhos, novo presidente da ABCZ, toma posse nesta quinta-feira

Luiz Claudio Paranhos, presidente da ABCZ (Foto: Rúbio Marra/Divulgação/ABCZ)

Globo Rural – Em sua gestão no comando da ABCZ, quais as questões que pretende dar mais atenção?

Luiz Claudio – Internamente precisamos dar muita atenção ao programa de evolução contínua, que tem como foco melhorar sempre a qualidade e a confiança nos serviços prestados, de registro genealógico e de melhoramento genético, através de treinamentos e capacitações constantes dos nossos colaboradores, dos colaboradores dos nossos associados e do uso de novas tecnologias. Outra ação será o foco na evolução do PMGZ, o maior programa de melhoramento genético em zebuínos no mundo, através do qual temos condição de contribuir efetivamente para o aumento da produção de carne e leite no nosso país.

GR – Duda Biagi, a quem o senhor sucede na presidência da ABCZ, é historicamente um crítico acerbado da relação frigoríricos/produtores. Qual a sua posição a respeito da convivência indústria e produtores? Ela deve ser amistosa?

LC – Ela deve ser amistosa. Temos que procura criar condições e ambiente para podermos sentar numa mesa e discutir os rumos da atividade com o amadurecimento que a situação requer. O Duda tem razão, pois existe um grande desbalanceamento de forças neste jogo. A indústria sempre muito bem articulada, tem se posicionado nos últimos anos de uma maneira muito forte e impositiva, inclusive com incentivos governamentais, via BNDES.  Por sua vez os produtores têm grande dificuldade em se organizarem nacionalmente. Neste contexto a ABCZ participará de ações que busquem este entendimento.

GR –  Como analisa a pecuária de corte no Brasil hoje?

LC – Com preocupação. A pecuária em geral precisa passar rapidamente por uma revolução tecnológica intensa para ter melhores condições de competitividade com outras atividades do agronegócio. Nas regiões por onde a agricultura avança a pecuária perde espaço. E perde simplesmente por não conseguir remunerar o produtor da mesma forma que a agricultura remunera. Apesar de ter evoluído muito nas últimas décadas a pecuária comercial ainda demonstra baixos índices de produtividade.

GR –  São comuns críticas de que a alta qualidade dos rebanhos de ponta ainda não foi bem disseminada pelo Brasil. Mas a dose de um touro bom vale R$ 20/R$ 30, ou seja, é acessivel.

LC – A genética de ponta é bem mais acessível hoje em dia do que foi no passado. O mercado oferta diariamente touros de boa qualidade, registrados, avaliados geneticamente, prontos para servir, com preços e condições de pagamento facilitadas. A própria iniciativa privada puxou para si a responsabilidade de financiar o setor. São corriqueiras as ofertas de venda parceladas e sem juros, em 24 meses, 30 meses e até 40 meses. E falo em reprodutor provado sendo comercializado por valor correspondente a 40 ou 50 arrobas de boi. No caso da inseminação artificial, a facilidade é maior, já que por preço entre R$15,00 e R$30,00 conseguimos adquirir sêmen de excelentes reprodutores.

GR –  Qual o papel do gado zebuíno hoje sabendo-se que ele é a imensa maioria do plantel nacional? O que o senhor acha do cruzamento industrial?

LC – Papel Principal. Não é a toa que a grande maioria do plantel nacional é composta por raças zebuínas. São as que melhor produzem nas nossas condições de clima, pastagens e manejo. Adaptando-se com muita facilidade às diversidades de cada região. No manejo extensivo a rusticidade garante produção vencendo adversidades que vão da seca intensa do Nordeste aos desafios das enchentes do Pantanal. No manejo intensivo já demonstraram que são capazes de competir com raças taurinas, lembrando que o zebu vem sendo efetivamente selecionado para produção comercial há pouco mais de um século enquanto que as raças taurinas possuem seleção milenar. Com relação ao cruzamento industrial é indiscutível o ganho que o produto tem devido ao vigor hibrido de se cruzar zebuínos com taurinos. Mas considero uma ferramenta que deve ser utilizada com muito critério nas fazendas de cria, pois impacta diretamente na pressão de seleção das fêmeas para reposição. Quanto maior a quantidade de matrizes destinadas ao cruzamento menor a oferta de novilhas para reposição no rebanho base, menor a pressão de seleção, menor a evolução genética. Será que o sobrepreço da venda destes bezerros na desmama compensa a perda de evolução genética no rebanho base?

GR –  O preço da arroba está recompensando a atividade nos dias atuais?

LC – Está difícil fechar a conta. O custo de produção subiu bem mais que a arroba nos últimos anos. As margens encurtaram em todos os sistemas de produção, do mais tecnificado ao mais extensivo. Estamos passando por um período que requer forte ajuste no controle de custos da atividade. Analistas de mercado afirmam que 2013 será o último ano do ciclo de baixa da pecuária de corte, com abates de matrizes muito acima da média. Devemos ter já a partir do início de 2014 o que eles estão chamando de “apagão” na oferta de bezerros, primeiro sinal de mudança de ciclo. Este cenário projeta uma luz no final do túnel, o que deve melhorar a rentabilidade da atividade nos próximos anos.

GR – Quais são os entraves da cadeia da carne no Brasil nos dias de hoje?

LC – Em primeiro lugar concentração do setor de indústrias frigorificas que em algumas regiões ultrapassam os limites do que seria razoável, levando o pecuarista a ter imensa dificuldade nas negociações de preços ao vender seus bois. Também dificuldade de acesso a linhas de crédito competitivas que poderiam acelerar a incorporação de novas tecnologias na atividade me parece ser um dos principais entraves. Precisamos de mais entendimentos e ações conjuntas por parte das entidades que atuam no setor. Os objetivos são comuns. Falta articulação.

GR-  E o futuro da pecuária brasileira?

LC – A pecuária brasileira será cada vez mais moderna, competitiva e sustentável. Vai alimentar uma boa parte do mundo. É uma das grandes oportunidades da história do nosso país, podendo se consolidar como o grande seleiro de produção agropecuária do mundo. Temos as melhores terras disponíveis, clima excelente, um dos maiores rebanhos do mundo, tecnologia, centros de pesquisa e produtores competentes. Na mesma área que a pecuária ocupa atualmente, sem avançar um hectare, sem derrubar uma árvore, temos condições de dobrar, ou até mesmo triplicar nossa produção pecuária.

Fonte: Globo Rural

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