Lucros do arroz alimentam economia de Uruguaiana

Em 2018 – antes da enxurrada que levou a perdas de 30% nas lavouras de arroz de Uruguaiana no ano passado -, o IBGE contou 755,5 mil toneladas do grão colhidos na cidade. Em termos de lavoura, Uruguaiana é um município praticamente de monocultura do arroz, pois mesmo com soja são poucas as áreas semeadas, assegura Roberto Fagundes Ghigino, presidente da Associação dos Arrozeiros de Uruguaiana e vice-presidente da Federarroz.

Dentro da área municipal, são 80 mil hectares dedicados à orizicultura, que se somam a mais 15 mil hectares de propriedades que avançam em Barra do Quaraí. “Este ano está sendo bom. A área diminuiu um pouco, mas com a produtividade compensando. O agronegócio, como um todo, representa 45% da receita do município. O arroz, sozinho, pelo menos 30%, porque a cidade conta com diferentes indústrias de beneiciamento”, explica Ghigino.

São mais de 200 produtores, empregando diretamente quatro funcionários a cada 50 hectares, em média. Isso sem considerar novas contratações em períodos de plantio e colheita, entre outras atividades paralelas, como transporte. O problema da logística deicitária e a péssima qualidade das estradas secundárias – empecilho para muitos produtores gaúchos – foi resolvido, em parte, no município, com a criação de um fundo especíico.

“Com certa pressão, conseguimos criar o Fundo Estradas com valores do Imposto Territorial Rural. A prefeitura fez convênio com a Receita Federal, que repassa parte do imposto, cerca de R$ 2,5 milhões por ano, para as estradas. Uma empresa terceirizada mantém quatro equipes e maquinário atuando somente em vias do interior”, detalha.

Sobre 2020, Ghigino ressalta que, para o produtor e os comerciantes da cidade, o ano começou com outro ânimo. “Colhemos algo entre 9,5 mil e 9,8 mil quilos por hectare, um bom número. Começamos fevereiro, animados, mas, em março, tudo trancou com o coronavírus, e os negócios empacaram. Mas, no meio de toda essa pandemia, ao menos temos duas boas notícias no horizonte: produtividade e preços melhores”, comemora o orizicultor.

Ainda que o passivo de anos anteriores não esteja totalmente recuperado, Ghigino airma que já será possível começar a arrumar a casa e pagar contas atrasadas. Os cofres públicos também agradecem. O arroz é responsável por 81,67% da produção primária do município e também responde por 44% do PIB de Uruguaiana, de acordo com a secretária de Desenvolvimento Econômico da cidade, Luciana Reis.

Em 2019, a indústria contribuiu com 10,63% do ICMS, basicamente com o beneiciamento do grão em 12 indústrias, com cerca de 2 mil empregos diretos. Luciana ressalta, ainda, que Uruguaiana tem uma posição geopolítica interessante, pois, além de contar com condições ideais para grandes áreas de arroz irrigado, tem também facilidade com a região fronteiriça para exportar.

“O arroz faz com que nossa economia gire fomentando diversos outros setores. Mas nem tudo são lores: em épocas de enchentes, o município tem prejuízos com a diminuição da produção prejudicando todo o ciclo econômico”, pondera a secretária.

Fonte: Jornal do Comércio