Lucro trimestral da São Martinho cresceu 10%

Silvia Costanti/Valor

Venturelli, CEO da São Martinho: "janelas" de altas de preços foram aproveitadas

Ante uma já esperada redução da receita no segundo trimestre da safra 2018/19 – quando os preços do açúcar ainda estavam em mínimas históricas -, foi com a redução das despesas financeiras e a ajuda do câmbio que o Grupo São Martinho conseguiu encerrar o período com lucro maior que o do mesmo período da temporada passada. O resultado líquido da companhia alcançou R$ 58,5 milhões entre julho e setembro, um crescimento de 10,4%.

O esforço para a redução do endividamento que a companhia empreendeu nos últimos dois anos está resultando agora em uma diminuição de suas obrigações financeiras. A aposta em mecanismos de dívida mais baratos – como recebíveis do agronegócio (CRA) – e a redução dos juros na comparação com o ano passado também aliviaram o peso dessas despesas no segundo trimestre, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. "O perfil da dívida está mais favorável, com um custo menor, e juros um pouco menores", afirmou.

Dessa forma, a São Martinho contornou o já esperado enfraquecimento de seu desempenho operacional no trimestre, uma vez que a estratégia foi segurar as vendas – sobretudo de etanol – para aproveitar os preços sazonalmente melhores da segunda metade da safra.

Como resultado, a receita líquida do segundo trimestre caiu 12,6%, para R$ 643,4 milhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 19,1%, para R$ 316,2 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou em 49,1%, 3,9 pontos percentuais menor do que um ano antes.

Apesar do freio às vendas de etanol, a companhia conseguiu aproveitar dois momentos de alta dos preços. O primeiro foi logo após a greve dos caminhoneiros, quando os preços do bicombustível dispararam. "Aproveitamos essa janela em Goiás e em São Paulo. Concentramos o volume quando a janela abriu, dado que conseguíamos carregar muito e rapidamente. Pouca gente conseguiu atender a essa demanda e tinham comboios desesperados para carregar combustível", afirmou Fábio Venturelli, CEO da companhia. O segundo momento foi em setembro, quando os preços foram puxados pelo aumento da demanda.

O carregamento de mais etanol em estoque para a segunda parte do exercício, por sua vez, colaborou para que a companhia demandasse mais capital de giro no trimestre (R$ 453 milhões). No total, a dívida líquida cresceu 25,5% em relação ao início da safra, para R$ 3,090 bilhões, o que aumentou a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda acumulado) para 1,72 vez, ante 1,26 no início da safra. A expectativa, porém, é que a dívida seja reduzida até o fim do trimestre, conforme os produtos em estoque (60% do etanol desta safra) forem vendidos, disse Vicchiato.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor