Lucro líquido da São Martinho cresceu 185% no 2º tri da safra

Ana Paula Paiva/Valor

Segundo Fábio Venturelli, São Martinho priorizou venda de etanol hidratado

O Grupo São Martinho teve um lucro líquido de R$ 68,913 milhões no segundo trimestre da temporada 2016/17, um resultado 184,7% superior ao registrado no mesmo período da safra precedente, informou ontem a companhia. O lucro do grupo sucroalcooleiro foi impulsionado pela ascensão dos preços do açúcar e do etanol e pelo foco na venda de etanol hidratado na primeira metade da safra.

A estratégia de venda foi desenhada diante da perspectiva do fim da isenção tributária do PIS/Cofins sobre o etanol a partir do ano que vem, o que deve tirar competitividade do produto. Por isso, a prioridade foi vender o etanol hidratado enquanto ainda há alguma vantagem sobre a gasolina. Até o segundo trimestre, a São Martinho já havia vendido 56% do etanol hidratado previsto para ser produzido neste ciclo.

"O custo de carregamento dos estoques também foi um fator relevante", afirmou Fábio Venturelli, presidente da São Martinho, ao Valor. Além do custo, também houve necessidade de antecipar as vendas por causa da limitação do espaço nos tanques da Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO). A unidade, inclusive, está recebendo um investimento de R$ 17,5 milhões para ter sua capacidade de armazenamento ampliada em 40 milhões de litros para a próxima safra.

Desde o início da safra, a São Marinho vendeu 56% do volume previsto para ser produzido na temporada. A venda do etanol anidro, por sua vez, foi deixada um pouco mais para o fim da safra, tanto que até o fim do trimestre as vendas haviam alcançado 49% do previsto.

A São Martinho também aproveitou a alta do açúcar para acelerar a fixação dos preços de venda da commodity. Apenas no último trimestre, a companhia fixou 200 mil toneladas de açúcar, ante 150 mil no trimestre anterior, a um preço médio acima de R$ 1.200 por tonelada. A fixação do período anterior ficara aquém desse patamar.

Apenas no último trimestre, o volume efetivamente vendido de açúcar, concentrado em grande parte no mercado externo, cresceu 17,3%, para 327,5 mil toneladas. Com a alta dos preços, a receita da São Martinho com essas vendas teve avanço de 33,3%, para R$ 386,7 milhões.

No total, a receita da São Martinho no trimestre ficou em R$ 779,3 milhões, 14% a mais do que no mesmo período da safra passada. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 25,6%, para R$ 192,4 milhões.

A companhia também sentiu um alívio nas despesas financeiras, reduzidas com a queda do dólar em relação ao trimestre anterior. "No primeiro trimestre teve uma volatilidade muito grande e o dólar chegou a R$ 4", comentou Felipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho. Além disso, o segundo trimestre costuma ser um período em que o capital de giro já está empregado, sem necessidade de financiamentos.

Com isso, a São Martinho encerrou o trimestre com um resultado financeiro líquido negativo de R$ 57,4 milhões, mais de 50% abaixo do mesmo trimestre da safra precedente. Já a dívida líquida teve alta de 2% em relação ao trimestre anterior, somando R$ 2,8 bilhões.

Segundo Vicchiato, com o caixa que a companhia acumulava no fim do trimestre, de R$ 929 milhões, há uma posição "tranquila" para cumprir as obrigações financeiras de curto prazo, principalmente considerando a perspectiva de que os preços do açúcar e do etanol devem continuar favorecendo as receitas da companhia.

 

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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