Lucro líquido da BRF recuou 91,6% no 2º trimestre

"Se esse é o fundo do poço, não me parece tão profundo". Com essas palavras, o CEO global da BRF, Pedro Faria, sintetizou o sentimento do comando da empresa em relação ao resultado do segundo trimestral. Em meio à "tempestade perfeita" que uniu sobreoferta de frango, disparada das cotações de milho e apreciação do real, a BRF viu o lucro líquido recuar 91,6% no segundo trimestre, para R$ 31 milhões. Puxado pelas aquisições no exterior, a receita líquida da BRF aumentou 7,6%, para R$ 8,5 bilhões.

Em entrevista ao Valor, Faria enfatizou o caráter extraordinário da "conjunção astral" enfrentada pela BRF no segundo trimestre. Normalmente, argumentou, o ciclo de sobreoferta de frango é acompanhado de preços "muito baixos" de grãos. "Acompanho [o setor] desde 2002 e nunca tinha visto uma cenário sobreofertado com grão em alta e dólar muito volátil", enfatizou Faria. Os grãos representam cerca de 30% dos custos de produção da BRF.

Diante desse cenário, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 31,6% na comparação anual, para R$ 944 milhões. Com isso, a margem Ebitda BRF caiu 6,3 pontos, para 11,1%.

Apesar do pior desempenho, Faria avaliou que a conjuntura desfavorável demonstra que a estratégia de internacionalização da BRF estava certa. Sem as aquisições no exterior, a compressão de margens no Brasil e a queda das vendas no país pesariam até mais sobre o resultado.

No segundo trimestre, as vendas da BRF no Brasil caíram 7,8%, alcançando 495 mil toneladas. Segundo Faria, a BRF "pagou o preço" do repasse feito para compensar a alta dos preços do milho. Considerado exitoso pelo executivo, o realinhamento de preços feito pela BRF não se traduziu em aumento do preço médio das vendas no Brasil. Pelo contrário. O preço médio caiu 1,5% ante o primeiro trimestre.

Em relatório, a BRF informou que a queda do preço médio decorreu do movimento de "downtrade", com a redução das vendas de itens congelados – que, em geral, são mais caros. Também houve migração para canais de vendas de menor preço como o atacado, apontou a empresa.

No segundo semestre, a BRF voltará a elevar os preços de seus produtos no Brasil, disse Faria. Mas o "grosso" do reajuste necessário para compensar a alta dos grãos já foi feito. Com a valorização do real, os preços da carne de frango exportada também deverão ser elevados.

Na avaliação de Faria, os reajustes serão facilitados pelo corte, já em curso, da produção de carne de frango no Brasil. Depois de bater recorde no primeiro quadrimestre, os alojamentos de pintos de corte estão desacelerando e a relação entre a oferta e a demanda deve se ajustar no segundo semestre, disse.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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