Lucro do Moinho Anaconda subiu 14%

Apesar do recuo da demanda por farinha de trigo no Brasil e do cenário pouco propício ao repasse de alta de custos, o Moinho Anaconda, um dos maiores processadores de trigo do país, melhorou seu resultado no ano passado. A companhia teve no exercício 2015, encerrado em 31 de dezembro, um lucro líquido de R$ 124,5 milhões, 14% acima dos R$ 109,9 milhões obtidos em 2014. Operacionalmente, a empresa foi beneficiada por uma forte redução de custos. Também contribuiu para o resultado uma receita financeira maior no período.

A Anaconda não informou o volume comercializado, mas comunicou que em 2015 vendeu 1,53% mais farinha do que no ano anterior. O desempenho foi na contramão da média do mercado que enfrentou uma retração na demanda por farinha no Brasil, conforme previsões publicadas pelo setor moageiro no ano passado.

Embora o volume de vendas da empresa tenha crescido levemente, a receita líquida do moinho teve uma queda de 2,5%, para R$ 605 milhões. No entanto, a Anaconda conseguiu reduzir os custos numa intensidade maior que a queda da receita. Em 2015, o custo dos produtos vendidos recuou 7,2% em relação a 2014, para R$ 373,7 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Anaconda cresceu 7,7%, para R$ 168,1 milhões em 2015 em relação ao exercício anterior. A margem Ebitda avançou 2,7 pontos em igual comparação, de 25,8% para 28,5%. Foi a maior margem obtida pela empresa, pelo menos, desde 2011, conforme balanço publicado no Diário Oficial Empresarial de São Paulo.

A empresa, que não tem dívidas bancárias, foi beneficiada por uma receita financeira de R$ 16,6 milhões, 66% acima da registrada no exercício anterior. Já a despesa financeira do moinho caiu 74,3%, para R$ 313 mil.

Nos comentários que acompanharam o balanço, a empresa afirma que o resultado de 2015 reflete a continuidade da estratégia da Anaconda de operar "capitalizada" e sem alavancagem. Acrescenta, ainda, que "procurou capturar oportunidades" na compra de trigo preservando ao máximo os padrões de qualidade definidos nas negociações com seus clientes.

O Brasil é um dos maiores importadores de trigo do mundo – traz do exterior ao menos metade da sua demanda interna pelo cereal. No ano passado, a disparada do dólar no segundo semestre afetou os custos de grande parte da indústria moageira nacional, em especial das que tinham financiamento de importação de trigo em dólar.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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