Lucro da Vigor mais que dobrou em 2015

Xandó, da Vigor: expansão de vendas
A Vigor Alimentos, empresa controlada pela holding J&F, encerrou 2015 com um lucro líquido consolidado de R$ 242,8 milhões, mais do que o dobro dos R$ 120,031 milhões do ano anterior. No período, a receita líquida consolidada da empresa de lácteos alcançou R$ 5,219 bilhões, incremento de 18,8% sobre 2014. O avanço se deve à expansão das vendas para outras regiões do Brasil – como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Estados do Norte -, o que levou ao aumento de 25% na base de clientes, para 72 mil pontos de venda no país.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado da Vigor também teve crescimento expressivo, de 28,6%, no ano passado, para R$ 456,4 milhões. Esse número exclui efeito do ganho de ágio da aquisição da Danúbio pela Vigor no primeiro semestre de 2015.

A margem Ebtida da Vigor subiu 0,7 ponto percentual, para 8,7% no ano que passou. Os dados consolidados da Vigor incluem a participação de 50% na mineira Itambé Alimentos.

O diretor-presidente da Vigor, Gilberto Xandó, disse que os resultados refletem a estratégia, definida nos últimos dois anos, de ampliar as vendas para regiões além do Estado de São Paulo, do crescimento da base de clientes e do investimento em "inovação", especialmente com a categoria de iogurte grego.

Ele afirmou ainda que nos últimos dois anos a Vigor investiu na melhoria da qualidade de seus produtos, com reposicionamento da marca, o que permitiu "reprecificar" a companhia. O forte investimento em publicidade em 2015 também contribuiu para o desempenho. "Nada é surpresa. Vemos, sucessivamente, oito a 10 trimestres com evolução gradual dos resultados", disse Xandó.

De acordo com o executivo, a Vigor continuou crescendo na categoria grego em 2015 e num ritmo mais forte do que o mercado. Citando dados Nielsen, ele afirmou que enquanto o mercado de grego cresceu 35% em valor no ano passado no país, o avanço da categoria para a Vigor foi de 60%.

Os volumes comercializados pela Vigor (consolidados) totalizaram 921,9 mil toneladas em 2015, alta de 11,8%. A categoria de lácteos, que concentra os produtos de maior valor agregado, teve vendas de 261,3 mil toneladas, aumento de 12,7%.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

Embora tenha melhorado o desempenho, a Vigor enfrentou alta de custos em 2015, principalmente dos chamados preços administrados, e tomou medidas para ampliar a eficiência em suas fábricas, segundo Xandó. "Tivemos de repassar [ a alta para os produtos finais]", afirmou. Em média, o aumento de preços foi de 9% a 12% ao longo de 2015.

O custo dos produtos vendidos (CPV) no consolidado da Vigor somou R$ 3,642 bilhões em 2015, ou 69,8% da receita líquida. O CPV havia sido equivalente a 72,3% no ano anterior, segundo a Vigor.

Graças sobretudo à melhora operacional, a Vigor Alimentos conseguiu reduzir sua alavancagem financeira (relação entre a dívida líquida e o Ebitda) no ano passado. No fim de 2015, ela era de 1,7 vez; havia encerrado 2014, em 2,2 vezes. O endividamento líquido consolidado no fim de 2015 ficou em R$ 753,4 milhões, R$ 13,9 milhões a menos que em dezembro de 2014.

Segundo o diretor-presidente da Vigor, a dívida caiu pouco porque, além dos investimentos em 2015 – tanto em Capex quanto em marketing -, a empresa optou por terminar o ano com o "caixa reforçado". Para isso, fez captações financeiras, alongando o prazo médio da dívida e reduzindo seu custo médio. No fim de dezembro de 2015, o caixa da Vigor alcançou R$ 561,7 milhões, equivalente a 94,2% da dívida bruta de curto prazo da empresa.

Os investimentos da Vigor somaram R$ 200 milhões em 2015, conforme Xandó, sendo cerca de R$ 90 milhões na unidade em construção em Barra do Piraí (RJ), que deve começar a operar neste semestre.

Os resultados consolidados da Vigor no último trimestre de 2015 também melhoraram na comparação com o mesmo intervalo um ano antes. A empresa fechou o período com lucro líquido de R$ 50,436 milhões, alta de 26,9% sobre o mesmo intervalo de 2014. Já a receita líquida somou R$ 1,476 bilhão, aumento de 27,4%, e o Ebitda alcançou R$ 145,256 milhões (alta de 42,2%).

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