Ligeira melhora no horizonte da citricultura

As medidas de apoio anunciadas pelos governos federal e estadual e as adversidades climáticas em algumas regiões produtoras tornaram "menos ruim" o cenário para a cadeia produtiva de suco de laranja de São Paulo nesta safra 2012/13, cuja colheita da fruta começou a ganhar força.

No segmento, a expectativa é que o Ministério da Agricultura anuncie hoje a prorrogação, por dois anos, da Linha Especial de Crédito (LEC) para estocagem de suco lançada no ano passado e a criação de uma nova linha do gênero, mas com menos recursos.

A LEC de 2011 liberou R$ 320 milhões para as grandes indústrias de suco baseadas em São Paulo (Citrosuco /Citrovita, Cutrale e Louis Dreyfus Commodities) estocarem o produto e enxugarem o mercado por conta de uma superprodução da fruta no Estado e no Triângulo Mineiro, onde elas também se abastecem. O valor total foi usado e foram armazenadas, pelas regras da linha, 311 mil toneladas da commodity.

Pela laranja comprada para a produção desse suco que foi estocada, os citricultores receberam das indústrias pelo menos R$ 10 por caixa (40,8 kg), condição necessária para que os recursos fossem liberados.

O Valor apurou que a nova LEC deverá contar com R$ 120 milhões e que o preço de referência para a caixa que for usada para a produção do suco a ser estocada deverá ser fixado em R$ 10,10. Segundo fontes do segmento, o problema é que as indústrias já estão superestocadas e a caixa da fruta vem sendo negociada por cerca de R$ 7 no mercado spot de São Paulo, segundo o Cepea/Esalq. Ou seja, a demanda pelos recursos da nova LEC, se existir, tende a ser menor.

É um problema semelhante ao dos leilões anunciados pelo governo para tentar estimular as compras de laranja por empresas especializadas no mercado de fruta de mesa. Também foi estabelecido um preço mínimo de R$ 10,10 ao produtor, e nesse caso o governo se comprometeu a complementar o valor caso ele não esteja sendo praticado no mercado. E não está. O valor médio segue abaixo de R$ 5, e mesmo com a complementação as empresas que atuam no ramo lembram que a demanda por fruta de mesa é relativamente estável.

Mas o governo federal já promoveu uma rolagem de dívidas e o governo paulista se comprometeu a comprar R$ 6 milhões por mês em suco de laranja destinado à merenda escolar, o que também ajuda a desenvolver o mercado doméstico de suco de laranja integral já pronto para beber, que continua incipiente.

Com essas medidas e um clima que já reduz as estimativas de produção em São Paulo, inicialmente prevista em 365 milhões de caixas, hoje o temor predominante é que "apenas" 20 milhões de caixas, e não mais 80 milhões, não tenham comprador nesta temporada. Cerca de 10 milhões já ficaram no chão.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo

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