Ligação umbilical | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

Houve um tempo em que a meteorologia anunciava nas TVs que o tempo ia ser bom ou ruim. Bom queria dizer dias ensolarados. Ruim, chuva. Mas isso mudou. Constatou-se, afinal, que o tempo seco que delicia o veranista à beira-mar pode ser desastroso para o agricultor que precisa desesperadamente de chuva na sua lavoura. Em outras palavras, num Estado que tem quase metade do seu PIB gerado pelo agronegócio, campo e cidade estão mais interligados do que se imagina. O que é bom para um não pode ser ruim para o outro. Mesmo que isso signifique abdicar do banho de sol (de resto, um perigo para a pele). A seca deste verão, por exemplo, pode ter beneficiado os veranistas do Litoral mas a consequente escassez de alimentação para o gado refletirá no aumento do preço da carne. Ou seja: o churrasco ficará mais caro na praia. No final, todos vamos sair perdendo. Se alguém ainda duvidava da ligação umbilical campo-cidade, vai sentir na carne literalmente que esse papo não é inveja de agricultor que não pode ir à praia.

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