Ligação direta com o produtor

Claudio Belli/Valor

Christine Montenegro McGrath, VP da Mondelez International: atuação mais próxima dos cacauicultores brasileiros

A Mondelez International, dona da Lacta no Brasil, anunciou ontem que vai trazer para o país seu programa global de produção sustentável de cacau e combate à mudança climática. O programa já é adotado em Gana, Costa do Marfim, Indonésia, China e República Dominicana.

Em entrevista ao Valor, Christine Montenegro McGrath, vice-presidente global de sustentabilidade, bem-estar e relações governamentais da multinacional, disse que, agora, o programa vai atender os seis principais países fornecedores de cacau para a companhia. "Na Indonésia, onde o programa foi implantado há mais tempo, a produtividade dos agricultores aumentou 10%. No Brasil, será possível fazer muitas melhorias nos sistemas de produção", afirmou Christine.

No Brasil, a Mondelez desde 2014 desenvolve pesquisas com a Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA), para melhorar a produtividade das variedades de cacau cultivadas no país. "Agora a atuação vai ser diretamente com os agricultores", observou Christine. A expectativa da companhia é atingir pelo menos 1,5 mil agricultores e suas famílias no prazo de três anos. No foco estão produtores dos Estados do Pará e da Bahia.

No Pará, a empresa planeja investir cerca de US$ 200 mil por ano, nos próximos três anos, para capacitar produtores de cacau e ajudá-los a melhorar sua produtividade, mitigando os impactos ambientais da produção.

A Mondelez estima transformar mil hectares de terras de pastagens no Pará em agrofloresta de cacau. O projeto também prevê a adoção de novas técnicas de manejo em 750 hectares de fazendas de cacau e a restauração de 500 hectares de mata ciliar.

Os agricultores receberão mudas de cacau desenvolvidas no projeto de Ilhéus. Eles também receberão treinamento para cultivar outras culturas além do cacau, para incrementar a renda.

O trabalho será desenvolvido com a colaboração da organização não-governamental The Nature Conservancy (TNC). Nos últimos cinco anos, a TNC apoiou o plantio de 450 hectares de sistema agroflorestal de cacau na Amazônia, beneficiando 120 famílias em São Félix do Xingu (PA) e Tucumã (PA). A meta da TNC, que também apoia ações da Cargill nessa frente, é beneficiar mil famílias no Pará em cinco anos.

No mundo, o programa de sustentabilidade da Mondelez envolveu 120,5 mil agricultores em 2017, 31% a mais do que no ano anterior. A meta é atingir 200 mil produtores até 2022. No ano passado, 35% do cacau adquirido globalmente pela companhia veio do seu programa de sustentabilidade.

Christine disse, no entanto, que a Mondelez não tem planos de comprar cacau diretamente desses agricultores no Brasil. No país, disse Christine, as compras são feitas de tradings que comercializam a amêndoa. "O Brasil é o quarto maior mercado consumidor para a Mondelez e um dos seis principais fornecedores de cacau para a companhia. A melhoria da produção no país amplia a oferta de matéria-prima, favorecendo a Mondelez de toda forma", afirmou.

A executiva acrescentou que o estímulo à produção sustentável faz parte da meta global da companhia de melhorar a qualidade dos seus alimentos, com a escolha de ingredientes com mais nutrientes e sabor. No Brasil, a Lacta é a marca de chocolate mais vendida, com participação de mercado de 12,1%, de acordo com a Euromonitor International.

Mundialmente, a Mondelez tem planos de investir cerca de US$ 400 milhões entre 2012 e 2021 na produção de cacau para assegurar seu abastecimento.

Por Cibelle Bouças | De São Paulo

Fonte : Valor

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