Leite: produtor do RS pode ter que vender animais por falta de alimento

Segundo o levantamento feito por pecuarista, estiagem é a pior em mais de 30 anos e pode aumentar os custos da pecuária leiteira

31 de maio de 2020 às 18h15

Por Canal Rural

Um levantamento realizado pelo criador João Lemke, de São Lourenço do Sul (RS), mostrou como a estiagem tem danificado a propriedade e como afetou a produção da alimentação do gado leiteiro. Checando os registros de uma planilha, a qual preenche desde 1989 com os índices pluviométricos, ele constatou que a seca na região foi a pior desde o início das medições.

A precipitação pluviométrica medida pelo produtor, entre novembro de 2019 e abril de 2020, chegou a apenas 313 milímetros, média de 32,2 milímetros por mês e 1,72 milímetros por dia.

“Trabalhamos com gado semiconfinado e a alimentação é com silagem de milho. Fizemos muito feno, a produção caiu pela metade”, conta Lemke.

O produtor também afirma que a dificuldade inclusive veio na reposição do pasto para a alimentação do gado leiteiro. “A estiagem atingiu a ressemeadura de azevém, comum da nossa região e na nossa propriedade. Neste ano não conseguimos produzir nada até agora e normalmente estaríamos fazendo a segunda ou terceira passagem de azevém. Quase que o mês de maio entrou nesta estatística, pois foi só chover dia 21”, ressalta.

Prejuízos nos próximos anos

Para o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, os dados levantados por Lemke mostram a difícil situação que a estiagem trará na produção de leite para os próximos anos no que diz respeito à atividade.

“O nosso prejuízo com a estiagem não é imediato, é um prejuízo de mais de um ano. Muitas terneiras e novilhas que seriam criadas terão que ser vendidas ou até abatidas porque o produtor de leite não tem alimento suficiente para poder criá-las. Além disso, poderá ter que reduzir seu rebanho das vacas em lactação”, destaca Tang.

O presidente da Gadolando avalia os custos de produção do produtor e lembra que isso pode impactar o mercado. “Se o produtor quiser manter o seu plantel, ele terá que comprar e isto aumentará este custo. Como todo o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina tiveram problemas, o produtor terá que comprar de outros lugares ou achar alternativa”, diz.

Como solução, Marcos Tang enfatiza que é necessária a redução de impostos neste momento para amenizar os impactos da estiagem junto aos criadores de gado leiteiro.

“Não pedimos empréstimos, mas sim a redução de impostos tornando o produto mais acessível. Produtos que nós da cadeia leiteira necessitamos, pois precisamos agora nos abastecer de sementes e adubos e estes não têm seus preços freados por estiagem. Este custo está muito alto pelo que recebemos pelo leite”, salienta.

Fonte: Canal Rural

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