LBE busca avançar com alternativa a adubo nitrogenado

Guerra: cerca de 30 mil hectares de plantios comerciais já utilizam o produto
Um produto que pretende substituir o uso de fertilizantes nitrogenados na agricultura é a grande aposta da LBE Biotecnologia para aumentar sua expressão no mercado, não apenas doméstico, mas também internacional. Fundada há quase 25 anos, a empresa viu seu faturamento disparar desde o lançamento do novo adubo, em 2013. Para este ano, a previsão da LBE é que a receita possa até dobrar frente a 2015, para algo entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões.

"Acredito que será um ano muito bom. Temos contratos importantes e a empresa vai se tornar algo grande de verdade", diz o espanhol José Guerra, que fez carreira nas artes, como escultor, mas com seu interesse por bioquímica acabou fundando a LBE em 1992, com sede em São José (SC). Há três anos, o faturamento da companhia, que sempre se dedicou aos adubos foliares organominerais, oscilava entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões, mas houve um salto para R$ 15 milhões no ano passado.

A presença excessiva de nitrogênio no solo, causada pelo elevado uso de fertilizantes como ureia, sulfato de amônia e nitrato de amônia, já se tornou um problema ambiental em muitos países – inclusive com a poluição de lençóis freáticos -, conta Guerra. "Em boa parte da Espanha, já não se pode mais usar ureia no solo", afirma.

Problemas renais e imunológicos também costumam ser associados a alimentos que carregam muita ureia, o que no futuro pode se traduzir em entraves comerciais ao Brasil, avalia o empresário. "Daqui a pouco, [os clientes estrangeiros] podem parar de comprar soja ou melão do Brasil se tiver resíduos de ureia".

Atento a esse filão, e sabendo que o nitrogênio, abundante na atmosfera, é o principal nutriente das plantas, Guerra passou a buscar uma substância que permitisse a qualquer vegetal capturar esse "alimento" do ar – o que eliminaria a necessidade do uso de fertilizantes nitrogenados.

Após oito anos de pesquisa, a LBE chegou a uma solução: um complexo enzimático, aplicado no plantio, que estimula reações bioquímicas nas raízes das plantas, dando-lhes um "estoque" de alimentos e estimulando seu crescimento. Na prática, o produto permite reproduzir, através de aminoácidos, o efeito da nitrogenase, responsável pela fixação de nitrogênio nas plantas. Segundo Guerra, testes posteriores foram feitos com a participação de instituição nacionais, como a Embrapa, e também internacionais.

"Temos cerca de 30 mil hectares de plantios comerciais já usando esse adubo, no Brasil e no exterior", conta. Atualmente, os principais mercados são EUA, Canadá, México e Espanha – neste último, o produto já é utilizado em culturas como batata, trigo, alface e tabaco. No Brasil, o milho desponta como um mercado importante, mas testes com melão, arroz, feijão, hortaliças e soja também deram bons resultados, na avaliação da companhia. "E o produto é 50% mais barato que a ureia, em média", diz Guerra.

Encorajada pelos resultados, a LBE decidiu ampliar sua capacidade de produção. A empresa deve se mudar nos próximos meses para Paulínia (SP), onde investiu mais de R$ 20 milhões na construção de uma nova unidade. Na nova planta, a companhia fabricará ainda um produto de nutrição vegetal recém-lançado para o combate a nematoides, e, no futuro, também pretende se dedicar à nutrição animal, com uma solução para aumentar o peso de bovinos. "Mas esse produto ainda está em fase experimentação", afirma.

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor

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