Lactalis e Lala na disputa por ativos de lácteos da BRF

Regis Filho/Valor
Cláudio Galeazzi, da BRF: interessadas na operação de lácteos são “empresas muito fortes que querem vir ao Brasil”

A francesa Lactalis e a mexicana Lala Foods estão na disputa pela aquisição dos ativos de lácteos da BRF. A empresa brasileira colocou a divisão à venda no início deste ano e espera que a operação seja finalizada no próximo mês.

Ontem, a agência Bloomberg informou que a Lala teria feito uma oferta pela divisão. A Lactalis também apresentou uma proposta, segundo fontes ouvidas pelo Valor. E a oferta da francesa seria a mais atraente para a BRF, afirmou uma dessas fontes.

Além das duas companhias de lácteos, a holandesa Friesland Campina também indicou interesse pela divisão de lácteos da BRF, de acordo com as mesmas fontes. A Bloomberg também citou a Lactalis e a francesa Danone como interessadas.

De acordo com um executivo do segmento, eventuais interessados tinham de apresentar "oferta firme" pelo negócio de lácteos da BRF até meados deste mês. A intenção da BRF, disse, é vender a divisão por mais de R$ 1 bilhão – a operação gerou uma receita líquida de R$ 2,8 bilhões no ano passado à companhia. Procurada ontem, a BRF disse que não iria se manifestar.

A Lactalis entrou no Brasil no ano passado, com a aquisição da empresa de queijos premium Balkis. Mas a gigante francesa, que faturou € 16 bilhões em 2013 e é a maior empresa de lácteos do mundo, tem planos mais ambiciosos para o país. No ano passado, também tentou comprar o controle da LBR – Lácteos Brasil, antes da aprovação do plano de recuperação judicial da empresa brasileira. A situação financeira da LBR, porém, inviabilizou o negócio, que estava sendo tocado pela Parmalat SpA, controlada da Lactalis.

Com a sinalização da BRF, no começo do ano, de que pretendia vender parcial ou totalmente seus ativos de lácteos, a Lactalis tornou-se imediatamente uma potencial interessada.

A Lala, que está capitalizada após um IPO em que levantou US$ 1,1 bilhão e que teve receita líquida de US$ 3,3 bilhões no ano passado, também já tentou entrar no Brasil. Em 2012, estava prestes a fechar a compra da Itambé, mas, na última hora, quis reduzir o preço a ser pago, e o negócio não vingou, lembra uma fonte do segmento.

Com a desistência da Lala, a Itambé acabou nas mãos da Vigor: em fevereiro de 2013, o laticínio controlado pela J&F (holding que controla também a JBS), adquiriu 50% do capital da Itambé por R$ 410 milhões.

A reportagem questionou a Lactalis e a Lala sobre o tema via email, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. Procurada, a Danone no Brasil enviou a seguinte declaração, por meio de sua assessoria de comunicação: "Líder mundial e nacional no segmento de produtos lácteos frescos, o Grupo Danone está sempre atento às oportunidades de desenvolvimento de seus negócios nos mercados em que atua. O tema é avaliado pelo Grupo Danone em Paris".

A BRF assinou 14 acordos de confidencialidade com eventuais interessados desde que colocou a divisão de lácteos à venda. Em entrevista à Bloomberg, no dia 11 de junho passado, o CEO global da BRF, Cláudio Galeazzi, disse que desde então o processo avançou para uma segunda fase. Na mesma entrevista, ele afirmou que os interessados são "empresas muito fortes que querem vir ao Brasil".

No fim de abril, o CEO global da BRF dissera, em teleconferência com analistas, que o futuro da divisão de lácteos seria definido num prazo de 60 dias a 90 dias. "Estamos analisando neste momento as possibilidades em lácteos, inclusive não excluindo venda parcial ou total", afirmou Galeazzi na ocasião.

A atual administração da BRF, comandada pelo empresário Abilio Diniz desde abril do ano passado, sempre mostrou restrições à operação de lácteos, por considerá-la um negócio pouco rentável. Mesmo na administração anterior – de Nildemar Secches e José Antônio do Prado Fay -, a Tarpon, que levou Abilio à presidência do conselho da BRF, já indicava descontentamento com a divisão, responsável por pouco menos de 10% da receita líquida total da BRF.

Em mais um sinal do desinteresse da BRF pelo segmento, a empresa também desistiu de uma fábrica de lácteos que construía em Barra do Piraí (RJ). Na semana passada, a Vigor informou que assumiu a unidade, dando continuidade ao projeto. Cerca de 70% da nova fábrica está construída, e o plano da Vigor é colocar a planta em operação em quatro a cinco meses.

Embora não tenha mais interesse no negócio de lácteos, a BRF sabe que a divisão é cobiçada por suas marcas fortes como Batavo e Elegê, já consolidadas no mercado brasileiro, além de uma de rede de fornecedores de leite para processamento. É nessas oportunidades que estão de olho as empresas estrangeiras: adquirir um ativo com marcas importantes e garantia de matéria-prima, num mercado que ainda tem espaço para crescer.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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