Lactalis deverá fazer oferta à LBR até meados de setembro

Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
Nelson Bastos disse aos credores que "a transação com a Lactalis parece a melhor solução para a LBR, mas se não se concretizar, a companhia irá sobreviver"

Os credores da LBR – Lácteos Brasil concordaram ontem em suspender a assembleia de recuperação judicial da companhia até 30 de setembro. Com isso, os credores terão tempo para avaliar a proposta de aumento de capital que deve ser feita pela francesa Lactalis na LBR.

De acordo com Nelson Bastos, diretor-presidente estatutário da LBR, a expectativa é de que a Parmalat SpA, controlada pela Lactalis, faça uma "proposta firme" para os acionistas da LBR até a primeira quinzena de setembro.

A proposta de aumento de capital na LBR "poderá dar à empresa francesa o controle da companhia brasileira dependendo da oferta" que será feita, disse Bastos ontem de manhã antes de os credores deliberaram pela suspensão da assembleia. Considerando o histórico de outras operações envolvendo a empresa francesa, a tendência é que a Lactalis busque o controle da LBR.

Aos credores, Bastos afirmou que "a transação com a Lactalis parece a melhor solução para a LBR, mas se não se concretizar, a companhia irá sobreviver e terá capacidade de cumprir o plano de recuperação judicial". Em sua apresentação, o executivo disse que a proposta da Lactalis "pode pressupor uma nova formatação da relação com os credores, com uma substancial redução de risco".

Conforme apurou o Valor, a existência das negociações com a Lactalis não implica necessariamente mudanças no atual plano de recuperação judicial apresentado aos credores. As condições podem ser modificadas ou não. Mas o que se espera é uma redução de risco para os credores, já que um aumento de capital pela Lactalis diminuiria a possibilidade de inadimplência pela LBR.

A LBR propõe aos credores o pagamento do valor de face dos débitos, mas quitação do principal só a partir de 2021 no caso dos credores com garantia e quirografários (sem garantia). Credores considerados fornecedores essenciais seriam pagos em até 24 meses a partir da aprovação do plano. Os débitos da empresa com os credores quirografários financeiros somam R$ 517 milhões e com os credores com garantia real, R$ 120 milhões.

Ontem, aos credores da Lactalis, Nelson Bastos mostrou resultados operacionais da empresa que permitem, segundo ele, cumprir o que foi proposto na recuperação judicial. Segundo sua apresentação, a receita bruta da LBR saiu de R$ 144 milhões, em fevereiro deste ano, para R$ 181 milhões em julho, um aumento de 26%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que era negativo em R$ 4 milhões em fevereiro, alcançou R$ 11,9 milhões em julho.

Além disso, a empresa ampliou a captação de leite em 17% entre maio e agosto e reduziu em 64% os estoques entre fevereiro e agosto. Conforme o executivo da LBR, a empresa também diminuiu custos fixos de R$ 27 milhões em janeiro para R$ 18 milhões em junho, assim como o número de funcionários, que caiu de 4.830 para 3.169 pessoas em junho. A LBR também reduziu perdas entre março e junho, de R$ 4,5 milhões para R$ 1 milhão. Os custos com frete por tonelada foram reduzidos em 22%, sempre segundo a empresa.

Para obter tais resultados, informou, a empresa focou em produtos, mercados e canais com maiores margens, fechou oito centros de distribuição, melhorou a performance industrial, além de reduzir a ociosidade fabril, com o fechamento de unidades industriais. Eram 31 quando a empresa foi criada, no fim de 2010, e hoje são 12.

Antes de pedir recuperação judicial, a LBR, já em dificuldades financeiras, chegou a negociar com a Lactalis, mas as conversas não vingaram. Os credores deverão ser informados, no dia 16 de setembro, sobre os desdobramentos das atuais negociações.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

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