Juventude rural quer desenvolvimento solidário

Foto: Paulo Henrique Carvalho/MDA

O ministro Patrus Ananias garantiu, hoje (29), no encerramento da 2ª Conferência Temática Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e Reforma Agrária para a Juventude, que o Ministério do Desenvolvimento Agrário vai ampliar as políticas públicas que fortalecem a permanência dos jovens no campo com programas que permitam maior acesso à educação e tecnologia, educação e lazer e que contemplem o desenvolvimento da agroecologia e de um desenvolvimento rural sustentável e solidário. 

Falando a mais de 150 jovens de todos os estados, o ministro afirmou que o Brasil vive um momento histórico de defesa da democracia, já que as liberdades públicas e democráticas estão sendo ameaçadas. “Sempre que há uma quebra nas regras democráticas no Brasil, os que mais sofrem são os pobres, os trabalhadores da cidade e do campo. A disputa atual não está sendo feita no campo da ética, como certos setores estão se apresentando, como paradigmas da moralidade. A gente tem uma disputa entre as tendências libertárias, vinculadas às conquistas sociais, e as tendências do sectarismo, do fanatismo, do autoritarismo. Nós queremos avançar no campo social, os outros querem manter seus interesses financeiros, econômicos”, observou.

Para o ministro, é preciso fortalecer as conquistas sociais já realizadas, como Bolsa Família, a agricultura familiar, o Fies, o Prouni, o Luz para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, que agora terá também sua versão rural, e avançar na perspectiva da reforma agrária, da reforma tributária, da função social da terra e em vigorosas políticas pedagógicas e culturais.

“Parabenizo vocês Jovens com esta energia, capacidade de trabalho e sentimento profundo de compromisso com nosso povo e com nosso país, para afirmar a legalidade democrática, dentro dos caminhos da paz e do respeito às diferenças. Mas também com firmeza e coragem para continuar lutando pela defesa da democracia e pelas conquistas sociais”, concluiu o ministro

Carta

A 2ª Conferencia Nacional de Ater para a Juventude divulgou uma carta dos movimentos de juventudes do campo, das florestas e das águas, presentes no encontro, em que reconhecem os importantes “avanços da política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, especialmente no que se refere ao reconhecimento da diversidade das entidades e suas metodologias de trabalho na prestação do serviço Ater, a incorporação da perspectiva da agroecologia, povos e comunidades tradicionais, jovens e a centralidade do debate para atendimento às mulheres rurais”.

Para os participantes da 2ª Conferência, o momento político e econômico que o país enfrenta tem afetado diretamente os investimentos no serviço de Ater e propõem as seguintes medidas para enfrentar a situação presente:

-Garantir o acesso dos jovens à assistência técnica e extensão rural, contínua, pública e de qualidade, assegurando recursos para sua implantação;

-Criar uma linha de fomento para a transição agroecológica, vinculada à Ater, com prioridade aos projetos produtivos da juventude rural;

-Fortalecer os espaços de controle social nos territórios, dentre eles os colegiados territoriais e os comitês e câmaras temáticas de juventude para acompanhamento e monitoramento e avaliação da política Ater para a Juventude;

-Fortalecer as instituições públicas e as que trabalham com pedagogia da alternância, formadoras de agentes Ater para que possam formar técnicos de qualidade no próprio meio em que vivem, evitando assim o êxodo rural e promovendo a sucessão;

-Garantir um espaço institucional dedicado à pauta da Juvezntude na ANATER e

-Garantir a publicação e contratação da chamada pública de Ater para a Juventude conforme previsto no PPA para o ano 2016.

Educação

Para Edson Ferreira, cearense de Juazeiro do Norte, Território do Cariri, é preciso universalizar as políticas públicas e garantir o acesso a todos os jovens. “Temos problemas de acesso ao crédito e a ausência de uma Ater específica para a juventude. Sem isso, não conseguiremos fixar o jovem no campo e garantir a sucessão rural. Em nossa região, são 33 municípios, mas apenas três deles, já quase conglomerados, Crato, Juazeiro e Barabalho, atraem os jovens por seus equipamentos urbanos”, explicou Edson.

Izélia da Silva, baiana, representante do MST do território da Costa do Descobrimento,  também acredita que o acesso à tecnologia é fundamental para a fixação do jovem no campo, assim como políticas públicas que ofereçam entretenimento e cultura para a juventude. Ela elege a educação como a prioridade absoluta para a transformação, inclusive, da mentalidade rural. “O campo é um espaço machista, a mulher sofre uma discriminação ainda maior do que a mulher que vive na cidade. Só vamos acabar com isso, mudando o caráter segragador das pesssoas e isso só se consegue com educação”, concluiu Izélia.

Antônio Prates
Ascom/MDA

Fonte : MDA

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