Justiça do RS decide afastar administração da Cotrijuí

A Justiça do Rio Grande do Sul confirmou as expectativas e determinou na segunda-feira, por meio de liminar, o afastamento dos atuais administradores da Cotrijuí de seus cargos e a nomeação de um administrador judicial para definir se a cooperativa tem condições de continuar operando. Com sede em Ijuí, o grupo não vinha cumprindo os termos de pagamento dos credores definidos na liquidação extrajudicial com continuidade dos negócios definidos em setembro de 2014.

A decisão, passível de recurso, foi tomada após ação ajuizada por um dos principais credores da Cotrijuí, a Chinatex Grains and Oils, representada pelo escritório Souto Correa Advogados. Segundo a empresa, a administração da cooperativa teria montado uma estrutura para permitir a circulação de valores monetários por meio de coligadas e controladas e evitar bloqueios para pagamentos previstos no processo de liquidação extrajudicial. O Valor não localizou representantes da Cotrijuí para comentar a decisão.

A mesma suspeita gerou uma ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal, realizada na sexta-feira passada. Como informou o Valor, na "Operação Cotrijuí" foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em prédios da cooperativa e em residências de investigados em 16 municípios do Rio Grande do Sul.

A cooperativa foi fundada no fim da década de 1950. Atualmente beneficia, industrializa e comercializa produtos agropecuários como soja, milho, trigo, arroz, canola, girassol, leite e suínos. Chegou a ter 20 mil associados e a faturar cerca de R$ 1 bilhão. Seus ativos, após a depreciação dos últimos anos, são calculados em R$ 250 milhões, e as dívidas são estimadas em cerca de R$ 1,8 bilhão.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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