José Antônio Fernandes Martins assume comando da Bienal do Mercosul

JOÃO MATTOS/JC

José Antônio Fernandes Martins assumiu o  comando da Bienal do Mercosul

José Antônio Fernandes Martins assumiu o comando da Bienal do Mercosul

O empresário José Antônio Fernandes Martins, 81 anos, assumiu sexta-feira passada a presidência da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul para a gestão 2014/2015. Na ocasião, apresentou os nomes da diretoria que irá conduzir os trabalhos para a realização da 10ª Bienal do Mercosul que, segundo ele, não será mais apenas no Mercosul, mas sim, da América Latina. Porto-alegrense de nascimento, com formação em Engenharia Mecânica, o empresário reside em Caxias do Sul, onde é executivo da Marcopolo. Além de estudioso de economia, Martins também é apreciador de vinhos e, principalmente, de arte. Ele é um conhecido colecionador de pintura brasileira do século XX há mais de 35 anos. Em 2013, o público pôde apreciar parte da sua coleção e de sua esposa, Hieldis Severo Martins, na mostra Pintura brasileira, realizada no Margs. Estavam presentes obras de artistas como Pedro Weingärtner, Ado Malagoli e Iberê Camargo. A seguir, ele fala sobre a bienal.

JC Panorama – Quais serão as diretrizes de sua gestão?

José Antônio Fernandes Martins – É uma experiência inédita da minha vida, eu sou engenheiro mecânico, empresário, a vida inteira estive ligado à indústria automobilística. Não sou um perito em arte, mas sim apreciador de artes plásticas, principalmente pintura brasileira do século XX. Isso eu faço há mais de 35 anos, aprendi a gostar e a me dedicar, e tenho isso como um grande prazer na minha vida. Pretendemos colocar o foco principal desta gestão na promoção e na divulgação das artes na América Latina. Este ponto é fundamental: uma bienal do Mercosul é uma promoção já internacionalizada, mas queremos estender essa internacionalização para a América Latina toda, porque ela expressa a nossa cultura, modo de viver, nossa maneira de encarar as coisas. Nós, latino-americanos, temos uma maneira parecida de pensar. Esse foco de artes da América Latina será o nosso grande objetivo, a nossa grande perseguição em fazer dessa bienal nem melhor e nem superior as outras, mas fazer completamente diferente das outras, queremos fazer uma inovação, que não significa criar algo que não criaram, ou melhor, mas sim diferente, que olhem e digam: “puxa isso eu nunca tinha visto”.

JC Panorama – Como será colocado em prática esse objetivo?

Martins – Isso será uma tarefa do curador, nós ainda não definimos o curador.

JC Panorama – Há algum nome neste quesito? Gaudêncio Fidelis, diretor do Margs, talvez pudesse ser uma escolha?

Martins – O Gaudêncio Fidelis é um nome muito forte, sem dúvida nenhuma ele, como diretor do Margs, é um ponto de liderança nas artes plásticas do Rio Grande do Sul. Ainda não temos uma definição, isso vai ser decidido e comunicado tão logo tenhamos uma construção da 10ª edição. Quando tudo estiver formalizado, vamos definir quem será o nosso curador. Mas também existem muitos nomes que serão analisados, através de uma escolha seletiva e altamente técnica.

JC Panorama – A presidente anterior, Patricia Druck, declarou que gostaria de ter deixado bem encaminhada uma sede para a Bienal. Como ficou essa questão? O que o senhor pensa sobre isso?

Martins – É um negócio muito bom, mas implica recursos, e isso não é fácil. A ideia é boa, vamos fazer o máximo possível para, no futuro, contarmos com uma sede própria. É uma ambição justa e necessária, eu acredito que com o esforço de todos vamos chegar lá um dia. Quando, não sei dizer.

JC Panorama – O senhor estava à frente de um concurso para colocar uma obra de arte no Edifício DNA do Aço, em Porto Alegre, com a intenção de divulgar a lei da obrigatoriedade das obras de arte e estimular as construtoras em promoções semelhantes. De alguma forma isso também pode vir a ser estimulado na Bienal do Mercosul?

Martins – O artista que vai desenvolver a obra já foi escolhido, mas ainda não posso divulgar quem é. O edifício está em construção, próximo ao aeroporto, e lá teremos um espaço para eventos. Queremos levar alguns eventos da bienal, como reuniões importantes, para lá. Vou procurar falar com as construtoras que pensam igual a nós, não custa nada colocar uma obra, é tão barato – em relação ao edifício construído -, e os trabalhos sempre serão um ponto de referência.

JC Panorama – Na sua opinião, os empresários estão investindo mais em arte?

Martins – Acho que estão. Há, também, uma manifestação forte no sentido de saber onde comprar e investir, o que há 15 anos não existia. A arte é como uma epidemia: quando você começa a se engajar, se apaixona, fica contaminado. Digo isso porque sou colecionador e tento sempre divulgar, cada vez mais, o investimento em arte. Adquirir uma obra é um engrandecimento do conhecimento.

Fonte: Jornal do Comércio | Michele Rolim

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