João Sampaio: Governo esquece agronegócio na desoneração

A alta carga tributária prejudica a competitividade da agroindústria brasileira, um setor que precisa de desoneração tanto quanto outros da economia, alertou João Sampaio, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosag/Fiesp), em entrevista ao ‘AE BroadCast Ao Vivo’ nesta manhã.

Para Sampaio, o governo esquece o agronegócio quando fala em desoneração e olha muito para os setores têxtil e automotivo, "que também merecem ser atendidos", disse. "Mas o agronegócio gera recursos, divisas e resultados para o País e acreditam que (o setor) está de barriga cheia", completou.

Ex-secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Sampaio argumenta que a alta carga tributária do agronegócio reduz a competitividade do setor. "Tentamos mostrar para o governo que se desonerarem segmentos como, por exemplo, laranja, etanol e carnes, onde somos altamente competitivos, vamos conseguir ampliar essa liderança", disse. Além da redução direta, o presidente do Cosag/Fiesp sugeriu ainda o abatimento de tributos para empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento. "Temos empresas sérias de pesquisas, como a Embrapa, a Apta para as quais faltam recursos; poderíamos ter um modelo em que esses recursos para a pesquisa fossem descontados de impostos das companhias."

Sampaio afirmou que o Cosag/Fiesp já conversa com o governo sobre o Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 e que a demanda do setor é pela redução da burocracia em operações de crédito agrícola e agroindustrial. "Há entraves burocráticos para que produtores tomem recursos", disse. "Vamos sugerir ainda a manutenção de programas de financiamento, como a LEC (Linha Especial de Crédito) para a estocagem de suco de laranja, recursos para a estocagem de etanol e, ainda, a redução no preço de insumos, onde o governo tem de atacar fortemente a tributação", completou.

O executivo informou ainda que a entidade discute com os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Agricultura um pacote de medidas para minimizar a possível queda na renda agrícola em 2013. "É preciso ênfase no seguro rural, projetos de redução na carga tributária e de incentivo à exportação para que possamos conquistar mais mercados", exemplificou.

Citricultura

Interlocutor entre citricultores e indústria, Sampaio espera que a aprovação do estatuto do Consecitrus – conselho entre produtores e companhias para a discussão de um novo modelo de remuneração da cadeia – ocorra ainda este mês. "Vamos encaminhá-lo ao Cade e, a partir de março, podemos discutir parâmetros para uma nova forma de remuneração", disse Sampaio.

Por fim, Sampaio afirmou que um possível embargo pelos Estados Unidos ao suco de laranja brasileiro por excesso de carbendazim seria negativo para as companhias. No entanto, o presidente do Cosag/Fiesp avalia que as indústrias se adequarão às exigências dos norte-americanos e minimizarão os possíveis impactos para o comércio da bebida. "Algum ajuste será feito; imagino que vai haver um prazo e as indústrias vão se adequar", concluiu.

Fonte : Agência Estado

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