JBS terá R$ 300 milhões para reativar Doux

Empresa vai arrendar todas as unidades no Estado e a meta é retomar capacidade de um milhão de abates/dia

FREDY VIEIRA/JC

Para abrigar os ativos, grupo vai criar a divisão JBS Aves Brasil.

Para abrigar os ativos, grupo vai criar a divisão JBS Aves Brasil.

Uma reunião marcada às pressas na manhã de sexta-feira encerrou o longo período de impasse que envolveu as dívidas da Doux Frangosul com cerca de 1,5 mil produtores de frango e pequenos fornecedores. Conforme os rumores que circulavam no mercado há pelo menos três meses, o JBS Friboi anunciou em Montenegro que assumirá todas as operações do grupo francês no Rio Grande do Sul, por meio do arrendamento das unidades. O negócio com prazo estimado em 10 anos para a confirmação da opção de compra ainda inclui a planta de suínos de Caxias do Sul, que havia sido repassada em abril à Brasil Foods (BRF). 

Com o novo modelo, a empresa, considerada a segunda maior operadora global no segmento de aves, passará a atuar no mercado nacional e administrará toda a estrutura formada por incubadoras e fábricas de rações.  A JBS também assumirá a folha de pagamento que envolve mais de 6 mil funcionários, os encargos trabalhistas e os atrasos a fornecedores e integrados, avaliados em cerca de R$ 100 milhões. Por isso, serão aportados mais R$ 200 milhões, totalizando R$ 300 milhões até o final do ano para normalizar as atividades.

Para abrigar os ativos, a JBS criará uma divisão de negócios denominada JBS Aves Brasil e terá como presidente e CEO o irlandês James Cleary. O executivo considerou estratégicas as plataformas de produção de frango localizadas nas regiões mais competitivas do mundo, assim como já faz na carne bovina.

O objetivo, conforme explica o diretor-presidente do Grupo, Wesley Batista, é retomar os alojamentos até o dia 20 de junho com 840 mil abates diários e, em setembro, atingir o teto da capacidade, projetado em um milhão de aves por dia. Um novo encontro marcado para hoje com a comissão liderada pela Fetag definirá o cronograma de pagamentos aos criadores, que não recebem há cerca de seis meses. A JBS ainda presta outros esclarecimentos a partir das 9h por meio de uma teleconferência com analistas.

Segundo Batista, a perspectiva é de que em 60 dias o montante de R$ 50 milhões esteja liquidado e a primeira parcela depositada até o final da semana. “Não vai passar de 60 dias, pois precisamos do sistema integrado a pleno vapor para ganharmos em produtividade e não abrimos mão de agilidade neste processo”, garante Batista. Sobre o repasse da planta de suínos em Caxias do Sul, atualmente operada pela Brasil Foods, o executivo afirma que será preciso abrir processo de negociações para chegar a uma solução. “Não sabemos como isso será contornado, pois a BR Foods anunciou a compra, reativou a unidade, mas possui pendências com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Devemos iniciar as conversações ainda nesta semana”, explica.

Em um acordo informal, a Doux repassou a gestão, produtos e abastecimento, que inclui a planta frigorífica de Caxias do Sul e 700 integrados à BRF. Na planta em Ana Rech, distrito caxiense, funcionários da líder nacional em alimentos processados já monitoram a produção e o pagamento de lotes foi saldado em 30 de março. Atualmente, a unidade está em funcionamento, mas a fusão entre a Sadia e a Perdigão ficou impossibilitada pelo Cade de continuar à frente do negócio, em razão das exigências feitas pelo órgão para evitar a alta concentração de mercado com a união das duas empresas.

Grupo nega interesse em assumir passivos bancários que somam cerca de R$ 600 milhões

Durante o encontro realizado em Montenegro, que teve a participação do presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia, do secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, e do fundador do JBS Friboi, José Batista Sobrinho, o presidente do grupo, Wesley Batista, negou o interesse em assumir qualquer parcela dos passivos bancários da Doux Frangosul no Rio Grande do Sul, estimados em R$ 600 milhões. No entanto, ele não descarta a opção de compra prevista pelo acordo, caso a situação financeira seja regularizada.

Na opinião de Wesley Batista, o arrendamento resolve apenas o problema da retomada das atividades. “Se esperássemos até a próxima semana teríamos um colapso no sistema e isso inviabilizaria qualquer negócio futuro”, explica.

Por outro lado, o diretor-executivo do grupo francês no Brasil, Aristides Voigt, acredita que a compra seja confirmada no próximo ano, muito antes do prazo estipulado em 10 anos pelo contrato de arrendamento. “Como uma auditoria interna leva de três a seis meses, não havia tempo hábil para selar a aquisição total neste período”, afirma.

Sem revelar valores, Voigt antecipa que o patrimônio da companhia no País permite que as questões financeiras sejam superadas.  “É uma situação transitória que envolve um passivo que não pode ser considerado tão alto”, defende. De acordo com o executivo, o principal temor ao longo da crise instaurada há dois anos foi a dissolução do sistema de integrados e “felizmente a cadeia foi mantida”.

Fonte: Jornal do Comércio | Rafael Vigna

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