JBS sinaliza flexibilização de estratégia de hedge cambial

Wesley Batista: "Continuamos cautelosos e achamos que ainda existe risco"
Depois de ganhar R$ 9,4 bilhões com derivativos cambiais no terceiro trimestre, a JBS poderá flexibilizar a estratégia de hedge que vinha adotando neste ano. Segundo o CEO da companhia, Wesley Batista, a JBS pode reduzir a fatia de exposição ao dólar que é protegida, sobretudo com derivativos cambiais.

Com a estratégia que vinha sendo seguida, a maior empresa de proteínas animais do mundo estava protegendo praticamente 100% de sua exposição ao dólar – incluindo os passivos das subsidiárias fora do Brasil, que geram receita em moeda americana.

Em diversas ocasiões neste ano, Batista argumentou que o cenário de incertezas das economias mundial e brasileira pode provocar variações bruscas na cotação do real, justificando a estratégia de hedge da JBS. De fato, a forte depreciação do dólar no terceiro trimestre provocou um efeito negativo de R$ 6 bilhões, mas o ganho de R$ 9,4 bilhões com derivativos cambiais mais do que compensou esse impacto, impulsionando o lucro líquido da empresa para R$ 3,4 bilhões, recorde para um trimestre.

Mas agora, apesar de ainda ressaltar que os riscos são suficientes para assegurar a manutenção da política de hedge, o empresário afirmou que a JBS reduziu a posição de hedge em 50 mil contratos de derivativos (cerca de US$ 2,5 bilhões) no fim do terceiro trimestre. "Mas ainda temos uma posição relevante", acrescentou ele.

"Continuamos cautelosos com a situação e achamos que ainda existe risco suficiente para não estar assegurado de alguma forma em relação à variação cambial", disse o empresário, lembrado das incertezas que pairam sobre a China, por conseguinte, sobre as cotações das commodities e o impacto delas sobre a moeda brasileira. Diante disso, Batista afirmou não considerar "prudente ficar 0% hedgeado".

De acordo com Batista, a decisão entre ter uma exposição ao dólar 100% protegida ou menos do que isso depende da ponderação entre o balanço de custos e riscos. Para a JBS, o custo para manter os derivativos cambiais é próximo da taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano.

Em meio à ponderação de custos e riscos financeiros, a JBS também tem desafios na área operacional. Ontem, no encontro com analistas, o presidente global de operações da empresa, Gilberto Tomazoni, admitiu que não conseguiu aumentar o preço dos produtos processados da Seara, principal marca da JBS Foods, no terceiro trimestre.

Em agosto, o executivo havia anunciado a intenção de reajustar preços para compensar o aumento de custos decorrente de alta do dólar. "Gostaria de ter aumentado o preço", afirmou Tomazoni. No terceiro trimestre, o preço médio dos produtos da JBS Foods ficou estável (0,2%) ante o segundo trimestre.

Neste momento, o principal entrave para a elevação de preços é a concorrência, mais acirrada por conta da crise econômica que afeta a renda dos consumidores. A líder de mercado BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, informou há duas semanas que não vai reajustar preços no quarto trimestre, deixando o repasse de custos para 2016. "A gente não está sozinho no mercado, [mas] não vai faltar a nossa intenção de fazer reajuste", disse Tomazoni.

Conforme o executivo, a dificuldade em elevar preços não afetou as margens da JBS Foods. No terceiro trimestre, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi de 20,7%, ante 17,7% no trimestre anterior. Segundo ele, a subsidiário conseguiu preservar margens com medidas de eficiência operacional e mudanças no peso relativo de canais de venda e portfólio. No entanto, essa estratégia tem um "limite", ponderou.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte: Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *