JBS reclama de burocracia e logística

Regis Filho/Valor / Regis Filho/Valor
Para Wesley Batista, presidente da JBS, elevação do custo da mão de obra não é uma questão que se restringe ao Brasil

Apesar de a elevação dos custos de mão de obra ser apontada como uma das principais responsáveis pela redução da competitividade da indústria avícola brasileira vista nos últimos anos, o presidente da JBS, Wesley Batista, observou ontem que esse encarecimento não é um fenômeno estritamente nacional.

Em debate realizado no Salão Internacional de Avicultura, na capital paulista, o empresário afirmou ontem que o Brasil deve concentrar sua atenção em temas que pode manejar diretamente, tais como a excessiva burocracia que atrapalha os negócios e o déficit em logística.

Segundo Batista, a perda de competitividade da indústria de frango é uma questão que afeta todos os países emergentes. "Não é um problema do Brasil. Países emergentes como a China vêm perdendo competitividade porque as taxas de desemprego vêm caindo e os custos de mão de obra estão subindo. Há dez anos, o Brasil produzia frango com 60% do custo dos EUA. Agora é quase igual. Isso é um fato", afirmou ele.

Também apontado como um fator que atrapalha a competitividade, o câmbio valorizado é outra variável que não pode ser controlada pelo país, disse Batista. "O câmbio se valorizou nos últimos dez anos, e agora está se desvalorizando", constatou o executivo. Para o presidente da JBS, essas oscilações do câmbio respondem a uma dinâmica global que o Brasil praticamente não influencia.

Na mesma toada, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da BRF, Leopoldo Saboya, que também participou do debate, disse que a combinação entre mão de obra barata e câmbio favorável não é suficiente para sustentar a competitividade da indústria no longo prazo. "Neste momento [de dólar valorizado], o câmbio é uma fonte de vantagem, mas câmbio não sustenta competitividade em nenhum lugar do mundo", afirmou o executivo.

Para Batista, o que o Brasil precisa é enfrentar alguns "problemas específicos", como reduzir a excessiva burocracia, simplificar o sistema tributário e investir em logística. "A burocracia tem aumentado, em vez de diminuir. Não estamos evoluindo como precisamos no custo logístico. O sistema tributário brasileiro está ficando insustentável", criticou.

Ao criticar a burocracia do país, Batista citou a relevante diferença entre o que acontece nos EUA e no Brasil, as duas principais plataformas de produção da JBS. "Temos 75 mil funcionários nos EUA e nosso departamento jurídico tem quatro pessoas lá. Aqui no Brasil, com 80 mil funcionários, devemos ter 50 pessoas no jurídico", afirmou ele.

A despeito da perda de competitividade, Saboya afirmou que, no longo prazo, a oferta de grãos, disponibilidade de água, cadeia integrada e robusto mercado interno são condições que o Brasil tem para se manter competitivo. "Nosso mercado interno vai fazer a diferença quando compararmos com emergentes", disse, citando a possibilidade de Argentina, Tailândia e Ucrânia avançarem nas exportações. (LHM)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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