JBS lucrou mais de R$ 560 milhões no quarto trimestre

Impulsionada pelo bom desempenho nas operações de carne bovina dos Estados Unidos e pela valorização do dólar perante o real, a JBS informou ontem que encerrou o quarto trimestre do ano passado com lucro líquido de R$ 563,2 milhões. No mesmo período de 2017, a companhia havia reportado prejuízo líquido de R$ 451,7 milhões.

No acumulado de 2018, o resultado teria sido um dos melhores da história, não fosse o impacto negativo da adesão da empresa ao Refis do Funrural. No ano passado, a JBS teve um lucro de R$ 25,2 milhões, o que representa uma queda de 95% em relação aos R$ 534,2 milhões registrados em 2017. Desconsiderando o Refis, o lucro do ano passado teria ultrapassado R$ 1,6 bilhão.

Do ponto de vista de vendas, a apreciação do dólar também beneficiou a JBS, que obtém mais de 80% do faturamento na moeda americana. No quarto trimestre, a receita líquida da JBS cresceu 10,7% na comparação anual, passando de R$ 42,7 bilhões para R$ 47,3 bilhões. No ano passado, a empresa da família Batista se manteve como a empresa privada não-financeira de maior faturamento no Brasil. Em 2018, a JBS registrou uma receita líquida de R$ 181,6 bilhões, incremento de 11,3%.

Operacionalmente, a divisão de negócios que engloba as operações de carne bovina nos Estados Unidos, Austrália e Canadá foi o destaque positivo, beneficiando-se da economia aquecida nos EUA e da ampla oferta de gado no país.

Nesse cenário, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado dessa divisão aumentou 19,9%, para R$ 1,6 bilhão. Com isso, essa frente de negócios foi responsável por quase 50% do Ebitda total da JBS, que aumentou 6,1% nos últimos três meses de 2018 e atingiu R$ 3,4 bilhões. Na mesma base de comparação, a margem Ebitda da JBS como um todo caiu 0,3 ponto, para 7,2%.

Nas demais áreas de atuação, porém, a JBS teve mais dificuldades. Prejudicada pelas sobrataxas aplicadas pela China à carne suína americana, a JBS USA Pork teve um Ebitda ajustado de R$ 408,7 milhões no quarto trimestre, queda de mais de 40% na base anual. A expectativa é que, com o acordo comercial em negociação entre Pequim e Washington e a maior necessidade de importações pela China em razão do surto de peste suína africana, a rentabilidade do negócio da JBS aumente.

No negócio americano de frango – a controlada Pilgrim’s Pride, que tem ações listadas na Nasdaq -, a piora dos resultados já era conhecida em razão do excesso de oferta nos EUA. No quarto trimestre, a Pilgrim’s teve o pior resultado desde 2011, com um prejuízo líquido de US$ 7,3 milhões.

No Brasil, onde a JBS é a maior produtora de carne bovina, o resultado foi afetado pela redução das exportações. No quarto trimestre, o Ebitda ajustado do negócio brasileiro de carne bovina (inclui couros) atingiu R$ 293,1 milhões, queda de quase 60% ante os R$ 706,5 milhões do terceiro trimestre. Porém, em relação ao quarto trimestre de 2017, quando a JBS ainda sofria com os efeitos de delação dos irmãos Batista, o resultado melhorou. Naquele trimestre, o Ebitda foi negativo em R$ 301 milhões.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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