JBS Foods International fará oferta de ações nos EUA

Para contornar o veto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à reorganização societária que havia anunciado em maio, a gigante JBS anunciou ontem um modelo alternativo, pelo qual fará uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da sua agora subsidiária JBS Foods International na bolsa de Nova York (NYSE).

No plano original, vetado no fim de outubro, a JBS Foods International se tornaria, na prática, na controladora da JBS. Nesse processo, a JBS transferiria ativos responsáveis por 80% do faturamento à JBS Foods International, que teria sede na Irlanda e ações na bolsa americana. No Brasil, a JBS seguiria listada na BM&Bovespa, mas após uma redução de capital a JBS Foods International passaria a ter 75% da JBS Brasil. Ao fim e ao cabo, portanto, a empresa irlandesa controlaria a JBS.

Em 26 de outubro, o BNDES justificou o veto à proposta de reorganização societária alegando que companhia, que é a maior empresa privada não financeira do país, seria desnacionalizada. No novo modelo, a JBS no Brasil será a controladora da JBS Foods International. Em vez da Irlanda, a sede da JBS Foods International será na Holanda. A expectativa da JBS é que o IPO da subsidiária seja concluído ao longo do primeiro semestre de 2017.

Desta vez, o BNDES aprovou a proposta, tendo em vista que o conselho de administração da JBS decidiu favoravelmente, por unanimidade, o IPO da JBS Foods International. A BNDESPar, braço de participações do banco, tem um assento no conselho de administração da JBS e 20,36% do capital da companhia de carnes brasileira. Além disso, mesmo que quisesse o BNDES não poderia vetar o IPO, porque a proposta não implica redução de capital. Procurado, o BNDES não se manifestou até o fechamento desta edição.

O IPO da JBS Foods International tende a ser bem recebido no mercado e impulsionar as ações da empresa, segundo analistas. Quando o BNDES anunciou o veto à primeira proposta de reorganização, as ações desabaram. Em recente relatório, o banco BTG Pactual avaliou que as ações da JBS precisavam de um catalisador, papel que vinha sendo exercido pela reorganização societária que foi vetada. Agora, a empresa pode ter novo catalisador.

De modo geral, analistas vinham afirmando que a reorganização societária traria muitos benefícios para a JBS, especialmente com a redução do custo de capital. Com ações em Nova York, também se espera que a empresa seja negociada a múltiplos mais próximos ao de concorrentes como a Tyson Foods.

Na JBS Foods International, a JBS reunirá todos os negócios internacionais, além da Seara – subsidiária que engloba as operações de aves, suínos e alimentos processados no Brasil. As operações de bovinos na América do Sul e os negócios globais de couro seguirão sob o guarda-chuva da JBS no Brasil.

Atual CEO global da JBS, Wesley Batista presidirá o conselho de administração da JBS Foods International. O conselho da empresa será composto por nove membros, com maioria independente, informou ontem a JBS.

No comando da JBS Foods International, estará Gilberto Tomazoni, que é atualmente o vice-presidente global da operações da JBS. O canadense Russ Colaco será o CFO da empresa.

"A companhia acredita que a estrutura proposta e o plano de IPO refletem sua plataforma de produção global, portfólio de produtos e ampla base internacional de clientes", informou a JBS em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ontem. A data de realização do IPO, o número de ações ordinárias classe A de emissão da JBS Foods International que serão ofertadas e o preço de emissão por ação ainda não foram definidos, segundo a empresa. (Colaborou Cláudia Schuffner, do Rio)

Por Luiz Henrique Mendes e Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte: Valor

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