JBS deve reduzir seu ritmo de aquisições

Wesley Batista, CEO da JBS: recompra de ações é mais atrativa que aquisições
Após investir em torno de US$ 5 bilhões em aquisições no ano passado, a JBS deve se concentrar no crescimento orgânico em 2016. Foi o que assegurou ontem o CEO global da companhia, Wesley Batista. Ainda que possa ser encarada com algum ceticismo, tendo em vista o histórico da empresa, a promessa agora está lastreada nas cotações atrativas das ações da própria JBS.

"A equação é simples. Se você olhar o múltiplo da JBS, não há nada no mercado mais barato do que isso. Para fazer uma aquisição, tem que pagar o dobro do múltiplo do que ela [a JBS] vale. O que é melhor?", disse Batista em teleconferência com analistas e investidores.

De acordo com o empresário, o programa de recompra de ações é mais atrativo do que eventuais investimentos em aquisições. "Continuamos com o plano de recompra aberto", disse ele, ressalvando que a JBS não pretende "causar distorção" nos preços com as recompras.

Apenas no quarto trimestre, a empresa gastou cerca de R$ 900 milhões com a recompra de papéis. Com isso, espera alguma recuperação nos preços das ações, que caíram 6,8% nos últimos 12 meses. Ontem, após a teleconferência, os papéis subiram e fecharam o dia a R$ 12, uma valorização de 5,9%. Entre os analistas, a avaliação também é que as ações da JBS estão subvalorizadas.

Além da manutenção do programa de recompra, a JBS também discute outras maneiras de gerar valor ao acionista. Perguntado ontem por um analista sobre a possibilidade de a empresa fazer a abertura de capital (IPO) de subsidiárias no exterior, o CEO sinalizou que a possibilidade é estudada. "Estamos ativamente trabalhando e discutindo o que podemos fazer para que possa criar valor e ser percebido [pelos acionistas]", disse Batista. No passado, a empresa já cogitou abrir o capital da JBS USA, subsidiária integral da companhia.

Para além das alternativas financeiras em estudo para gerar valor ao acionista, Batista reconheceu que, no lado operacional, a JBS tem desafios importantes, seja na operação de bovinos nos EUA, unidade de negócios da companhia que teve o pior desempenho no último ano, seja na JBS Foods, subsidiária de aves, suínos e alimentos processados no Brasil que está sob forte pressão de custos devido à disparada dos preços do milho no país.

Durante a teleconferência, o vice-presidente global de operações da JBS, Gilberto Tomazoni, admitiu que, diante das dificuldades econômicas do Brasil, não é possível saber qual será a reação da demanda ao necessário repasse de preços na JBS Foods. "Esse repasse de custos que precisa ter é significativo. Quanto isso vai afetar a demanda, é difícil fazer prognóstico hoje", afirmou ele.

Conforme Wesley Batista, o setor como um todo iniciou um reajuste de 10% nos preços dos produtos no início de 2016 – o movimento foi iniciado pela líder BRF -, mas esse repasse ainda não é suficiente para compensar o choque de custos. "A indústria está fazendo repasse ao redor de 10%. Mas é provável que precise de outros 10% para não perder rentabilidade", disse.

No JBS USA Carne Bovina – que também reúne os negócios na Austrália -, o ambiente de negócios segue "desafiador" neste primeiro trimestre. No quarto trimestre, a unidade de negócios teve uma margem Ebitda negativa de 0,5%, aquém dos 5,5% reportados no mesmo intervalo de 2014. De acordo com Batista, as operações de carne bovina nos Estados Unidos devem apresentar melhora a partir do segundo semestre, com a maior oferta de gado.

Além dos "desafios", o CEO da JBS afirmou que as perspectivas para a JBS Mercosul, que reúne o negócios de bovinos na América do Sul, são positivas. Segundo ele, a margem de dois dígitos vista no quarto trimestre é "sustentável". A Pilgrim’s Pride, empresa de carne de frango americana controlada pela JBS, também vem operando com margens de dois dígitos, recuperando-se do desempenho mais fraco ocasionado pelos impactos do surto de gripe aviária.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor

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