JBS desiste da Hillshire e prospecta EUA e Mercosul

Após ter retirado ontem sua oferta pela Hillshire Brands, a Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS, continuará a buscar oportunidades de aquisições. Segundo apurou o Valor, a JBS, controladora da Pilgrim’s, vai prospectar possíveis aquisições em regiões onde já atua, como os Estados Unidos, o Brasil e os vizinhos do Mercosul.

A Pilgrim’s vinha travando uma disputa com a Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, pela Hillshire há duas semanas. Mas no último fim de semana, a Tyson aumentou a oferta pela empresa de embutidos para US$ 63 por ação, o que levou a subsidiária da brasileira a desistir da compra. Inicialmente, a Pilgrim’s ofereceu US$ 45 por ação da Hillshire, mas alguns dias depois a Tyson Foods fez uma proposta maior, de US$ 50 por ação. No último dia 3, a Pilgrim’s aumentou sua oferta para US$ 55 por ação.

"Como um comprador disciplinado, determinamos que seria melhor para os nossos acionistas não elevar a nossa proposta atual de US$ 55,00 por ação", afirmou Bill Lovette, CEO da Pilgrim’s, em comunicado. "Manteremos o foco na excelência operacional, ao mesmo tempo que continuaremos buscando oportunidades de aquisição como política estratégica", afirmou.

Com a nova oferta feita pela Tyson, o valor da Hillshire alcançará quase US$ 8,7 bilhões ou US$ 1 bilhão mais que a última oferta da Pilgrim’s Pride. Fontes a par da negociação afirmam que a oferta anterior da Pilgrim’s, de cerca de US$ 7,7 bilhões, já "estava no limite" e já indicava um prêmio expressivo para a Hillshire.

Num dia em que o mercado foi influenciado também por rumores de que novas pesquisas eleitorais a serem divulgadas mostrarão um recuo da presidente Dilma Rousseff, os investidores parecem ter gostado da decisão da controlada da JBS. As ações da brasileira na bolsa paulista fecharam com alta de 6,31% a R$ 7,91. Já as ações da Pilgrim’s em Nova York encerraram a US$ 24,51 por ação, com queda de 6,70%. Os papéis da Tyson, que terá de elevar seu endividamento para concluir a compra da Hillshire, também caíram – 6,53% – para US$ 37,50. Já as da Hillshire subiram 5,33% para US$ 62,06 por ação.

Ainda ontem, a Hillshire Brands confirmou que recebeu nova oferta da Tyson, mas informou que seu conselho de administração ainda não aprovou a proposta e que a oferta está sendo avaliada. Antes de receber a oferta da Tyson, a Hillshire havia assinado um acordo para adquirir a americana Pinnacle. No entanto, caso aceite a proposta da Tyson, a Hillshire terá de desistir da proposta que fez pela Pinnacle e pagar uma multa.

Ontem, a Tyson já mostrava confiança na concretização do negócio com a Hillshire. O CEO da Tyson, Donnie Smith, disse que a oferta de US$ 63 por ação seria suficientemente alta para vencer a rival Pilgrim’s Pride. Em teleconferência com analistas, Smith afirmou que está confiante de que será possível assegurar US$ 300 milhões em redução de custos após a aquisição da Hillshire. Segundo ele, essa conta está baseada na análise do desempenho de Tyson e Hillshire no período entre 2009 e 2013. Foi a partir dessa análise, aliás, que a Tyson definiu sua oferta de US$ 63 por ação, acrescentou.

Conforme ouviu o Valor de pessoas a par da negociação, a JBS está em busca de eventuais aquisições que "façam sentido" dentro de sua estratégia de agregação de valor. Empresas que assim como a Hillshire tenham produtos com valor agregado, marca e que atuem no mesmo segmento que a Pilgrim’s estão no foco da JBS. Uma companhia com perfil semelhante nos EUA é a Sanderson Farms, que fatura US$ 2, 6 bilhões por ano.

Ao elevar a oferta pela Hillshire, a Tyson reforça sua aposta no mercado americano em detrimento de um crescimento no exterior, ao menos por ora. Além disso, também busca impedir o avanço da JBS nos EUA. Ontem, o CEO da Tyson ressaltou a importância das marcas da Hillshire. Segundo ele, a empresa não teria a oportunidade de comprar marcas do nível de Jimmy Deal e Ball Park tão cedo.

Analisas do setor observam, porém, que a oferta da Tyson é considerada elevada, e uma boa performance da Hillshire será cobrada. (Colaboraram Bettina Barros e Fernanda Pressinott)

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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