Ivan Monteiro anima investidores da BRF

Ana Paula Paiva/Valor

Funcionário de carreira do BB, Ivan Monteiro deixou Petrobras em dezembro

Ainda reticentes com os resultados da reestruturação em curso na BRF, os investidores receberam ontem uma injeção de ânimo da companhia. Com o aval de Pedro Parente, a dona das marcas Sadia e Perdigão anunciou a indicação de Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, para a vice-presidência financeira e de relações com investidores.

A contratação, que depende do aval da Comissão de Ética da Presidência da República, foi recebida com entusiasmo. Na B3, as ações da BRF subiram 6,5%, maior alta do Ibovespa. Com isso, ganhou R$ 1,25 bilhão em valor de mercado, sendo avaliada ontem em R$ 20,5 bilhões.

Trata-se do maior patamar desde 27 de abril de 2018, quando os papéis da BRF reagiram positivamente à eleição de Pedro Parente para a presidência do conselho de administração da companhia.

Monteiro é um nome muito respeitado no mercado, tanto por sua passagem no Banco do Brasil – ele é funcionário de carreira da instituição e foi seu principal executivo de finanças (CFO, na sigla em inglês) entre 2009 e 2012 – e na Petrobras. Na petroleira, foi comandado justamente por Parente até junho do ano passado, quando o atual presidente da BRF renunciou. Após a saída de Parente, Monteiro foi alçado ao comando da Petrobras, onde ficou até dezembro. (ver Executivo ajudou a ‘resgatar’ Petrobras).

Na BRF, o executivo terá o desafio de dar sequência aos planos de Parente de reduzir o endividamento da companhia. No fim de setembro, o índice de alavancagem (relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado em doze meses) estava em 6,74 vezes, um nível preocupante, conforme analistas. A dívida bruta da BRF totalizava R$ 22,7 bilhões.

Para reduzir o passivo, a BRF lançou um plano de desinvestimentos, que deverá ser concluído ainda em fevereiro com a venda das operações na Tailândia e Europa. No pacote, também estavam incluídos ativos na Argentina, que já foram alienados e com os quais a empresa angariou mais de R$ 500 milhões. Ao todo, a BRF pretende obter R$ 3 bilhões com as transações. Com essas vendas e outras medidas de gestão de capital de giro, a companhia quer reportar, em 28 de fevereiro, uma alavancagem pro forma de 4,35 vezes.

Mas essa é apenas a primeira etapa do plano de redução do nível de endividamento. A meta da BRF é baixar a alavancagem para 3 vezes até o fim deste ano. À frente da vice-presidência financeira da empresa, Monteiro deverá assumir a missão.

Outro desafio do executivo será administrar as expectativas dos investidores. Pelo organograma da BRF, Monteiro vai se reportar ao vice-presidente executivo, Lorival Luz. Principal responsável pelas condução do programa de desinvestimentos, Luz está sendo preparado para assumir o cargo de CEO da BRF até 14 de junho, prazo final para Parente deixar de acumular o cargo de CEO com a presidência do conselho.

De acordo fontes que conhecem a BRF, a indicação de um nome da estatura de Monteiro fatalmente gerará especulações sobre a sucessão de Parente. Seu nome pode pairar como uma "sombra" sobre Luz.

Ao Valor, uma fonte graduada assegurou que não há qualquer intenção nesse sentido. Segundo outra fonte, Monteiro e Luz têm ótima relação. Os dois se conhecem da CPFL Energia. Entre 2011 e 2013, Monteiro foi membro do conselho de administração da distribuidora de energia elétrica, e Luz diretor financeiro.

"Ivan é o CFO!", disse uma fonte, ressaltando que a BRF desejava um novo perfil para essa função específica, até então ocupada por Élcio Ito. Em comunicado, a companhia informou ontem que Ito deixou o cargo por "projetos pessoais".

A contratação de Monteiro também foi vista como uma oportunidade. "Junta a fome com a vontade de comer", disse uma fonte, lembrando que o executivo estava sem emprego e a BRF – hoje comandada por velhos conhecidos – estava em busca de um diretor desse porte.

Para que a união se concretize, resta o aval da Comissão de Ética, que analisará o caso na próxima terça-feira. Se seguir o mesmo entendimento do ano passado, quando liberou Pedro Parente da quarentena e o autorizou a assumir como CEO da BRF, Monteiro será liberado. (Colaborou Carla Araújo, de Brasília)

Fonte : Valor

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