Irrigação é quarta revolução agrícola, diz secretário de Agricultura do RS

Em entrevista ao G1, Luiz Fernando Mainardi fala sobre investimentos.
Secretário de Agricultura diz que quer triplicar áreas irrigadas do estado.

Tanise Scherer Do G1 RS

Secretário da Agricultura do RS, Luiz Fernando Mainardi (Foto: G1)
Secretário da Agricultura do RS fala sobre o cenário no setor no estado (Foto: Reprodução/G1)

A produção de grãos do Rio Grande do Sul na safra 2012/2013 deve atingir um volume recorde de 27,9 milhões de toneladas, de acordo com o último levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entretanto, o resultado só foi possível porque o tempo colaborou, já que no ciclo 2011/2012 a estiagem causou quebra de 40% nas lavouras do estado, segundo a Emater.


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Em entrevista ao G1 sobre os investimentos do governo do estado no setor (veja os principais trechos no vídeo ao lado), o secretário de Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, ressaltou a irrigação como solução para a garantia de renda aos produtores rurais em todas as safras. Para ele, o setor vive um momento que pode ser chamado de quarta revolução agrícola.

“Tivemos outras três revoluções, que foram a mecanização, o plantio direto e o crédito farto barato. E agora essa quarta revolução agrícola, que se dá através da irrigação, porque ela é irreversível. Um produtor adota a tecnologia quando vê que o vizinho produz três vezes mais milho do que ele ou 50% mais soja do que ele, e que produz mesmo quando não chove”, afirma.

Segundo o secretário, com a irrigação, a produção será muito maior do que em uma área sem irrigação que tenha chuvas adequadas no período de primavera e verão. “É por isso que é irreversível. Acredito que em alguns anos vamos chegar a níveis muito elevados. Cerca de 18% das áreas agrícolas mundiais são irrigadas. Nos EUA, é acima de 70%. Não sei a quanto vamos chegar nem em quanto tempo, mas não tenho dúvida de que é um processo irreversível”, avalia.

Irrigação é quarta revolução agrícola, diz secretário de Agricultura do RS, Luiz Fernando Mainardi (Foto: Divulgação/Seapa-RS)Mainardi diz que aumento de áreas irrigadas é
processo irreversível (Foto: Divulgação/Seapa-RS)

Mainardi destaca que a indústria de equipamentos de máquinas para a irrigação está produzindo como nunca. “É fundamental o uso da tecnologia da irrigação. Quando assumimos, havia apenas 100 mil hectares irrigados. Até o final deste ano, já teremos chegado a 200 mil. E esperamos até o final de 2014 triplicar esta área irrigada no Rio Grande do Sul”, conta.

Principal vilã do cenário agrícola do estado em 2012, a estiagem de tempos em tempos causa prejuízos aos produtores e, consequentemente, aos municípios. A recomendação da secretaria é para que o agricultor acumule água. “Estamos absolutamente convencidos de que a estabilidade do produtor está em acumular água no inverno. Temos um regime de chuvas bom no estado. Porém, quando a planta precisa, não chove”, explica. Garantir investimento em irrigação é o foco do programa Mais Água, Mais Renda.

Investimentos do governo estadual
Luiz Fernando Mainardi diz que a Secretaria da Agricultura é parceira do governo na liberação de recursos. “Nunca se teve tanto crédito como se tem hoje. São R$ 140 milhões disponibilizados para investir na produção agrícola e pecuária brasileira. E nós aqui no Rio Grande do Sul criamos um Plano Safra que disponibiliza recursos também complementarmente aos recursos do governo federal”.

O Plano Safra do RS foi criado em 2011 com o objetivo de alavancar o desenvolvimento da produção agrícola, desde a produção até o beneficiamento e a comercialização. Até então, o estado contava apenas com os recursos federais. “O Plano Safra estadual é elaborado depois que o governo federal anuncia o Plano Safra federal. Então, na questão do crédito, ele vem a ser complementar. Onde o governo federal não atende 100% das necessidades, nós oferecemos crédito aqui no Rio Grande do Sul para complementar”, explica Mainardi.

Nunca se teve tanto crédito como hoje"

Luiz Fernando Mainardi

Mainardi explica que é a partir do Plano Safra estadual que o governador e a própria sociedade têm condição de acompanhar os investimentos que são feitos na modernização, na qualidade do que é produzido, na sanidade dos produtos agrícolas e na defesa agropecuária. Segundo ele, a fraude do leite revelada pelo Ministério Público, na qual um grupo de transportadores adicionava água e ureia ao leite cru, é um caso típico de que é fundamental que o estado tenha condições de acompanhar e garantir uma correta fiscalização das empresas. “Estamos investindo, por exemplo, R$ 60 milhões no fortalecimento da defesa agropecuária aqui no Rio Grande do Sul. É necessário fortalecer o sistema de defesa.”

Renda no campo
Com os jovens que nasceram no campo migrando cada vez mais para as cidades, o secretário diz que a melhor forma de mantê-los nas áreas rurais é aumentando a renda naqueles locais. “Ele precisa ter renda produzida, gerada pela atividade agrícola e pelo seu trabalho no campo, que seja no mínimo igual ao que ele ganharia se tivesse na cidade. Além disso, precisa ter qualidade de vida para disputar com a vida da cidade", diz.

Mainardi defende também uma evolução na educação voltada para a formação do jovem no interior do estado. "Quanto mais conteúdos tivermos de formação para o jovem que está no campo, mais ele terá condições de ampliar a produção, a qualidade do que ele faz e, consequentemente, a renda da propriedade", conclui.

Logística
O secretário de Agricultura diz que os gargalos logísticos do escoamento da supersafra gaúcha se devem à falta de investimentos do governo federal nos últimos anos. "O único país que primeiro faz investimento para depois produzir é a China. O governo brasileiro, nos últimos 10 anos, estimulou o consumo  e, consequentemente, a produção. Assim, o Brasil dobrou a produção neste período, saindo de 90 milhões de toneladas para 180 milhões de toneladas. Por isso, nós temos gargalos no transporte", avalia.

Mainardi diz que, com a produção agrícola superior, o RS precisa de mais estradas e portos. "Então primeiro vem a produção e depois vem a superação dos gargalos. O que está sendo feito hoje? Exatamente isso. O governo federal está trabalhando para que, no caso do Rio Grande do Sul, com a duplicação de várias rodovias e o anúncio de novas, o estado não tenha mais problema para exportação dos produtos nos próximos anos", defende.

Ambiente
Com a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro, os produtores rurais precisam agora se adequar às regras. Mainardi defende que produção rural e preservação ambiental são atividades compatíveis. Para ele, é possível ainda que o governo subsidie cada vez mais os produtores rurais, não apenas com crédito para produção, mas também com incentivos financeiros à preservação ambiental e ao reflorestamento, a fim de que os custos da preservação da natureza não fiquem apenas não mão dos produtores rurais.

“Quem trabalha no interior precisa ter uma renda que lhe garanta a continuidade do trabalho lá fora. Me parece que a gente vai caminhar em algum momento para o estabelecimento de subsídios como forma de garantir a preservação dos biomas e ao mesmo tempo garantir produção de forma a dar renda para quem está no interior do estado produzir”, conclui Luiz Fernando Mainardi.

Fonte: G1

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