Irrigação é foco dos negócios na Expointer

O persistente efeito da seca sobre as lavouras e a pecuária do Rio Grande do Sul levou o governo do Estado a eleger a irrigação como a menina dos olhos da Expointer:  as tecnologias necessárias para driblar a estiagem estarão no centro das atenções durante a 35ª edição da feira. A solenidade de lançamento da exposição ocorreu  ontem no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), em Porto Alegre, local que sediou, entre 1909 e 1972, as primeiras mostras.
Em meio a apresentações circenses, foram divulgadas as atrações do evento, que ocorre de 25 de agosto a 2 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa do governo do Estado é de superação do volume de negócios realizados em 2011. Nos nove dias de atividades são esperados 500 mil visitantes.
Para o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, as lições deixadas pela quebra na safra já foram assimiladas. “Os produtores estão conscientes de que não dá mais para improvisar no campo, precisamos ser cada vez mais profissionais. E ser profissional, neste momento, é fazer investimento em irrigação. Esse fato vai marcar um incremento significativo nos negócios realizados na feira”, acredita o secretário.
O governador Tarso Genro prevê que a valorização no preço das commodities no mercado internacional vai ajudar a amenizar os prejuízos de culturas como a soja. Mesmo assim, salientou que esse incremento representa uma oportunidade para a realização de investimentos na infraestrutura no campo, especialmente em sistemas irrigação. O governador ainda lembrou que a seca nos Estados Unidos pode mobilizar os produtores gaúchos a investir em equipamentos para dar sustentação à próxima safra.
Falta de recurso não deve ser um problema para os agricultores agirem. “O Banrisul possui em torno R$ 100 milhões para irrigação. Já temos projetos apresentados e queremos apresentar outros até o fim do ano, mas não vamos ficar por aí. Vamos construir açudes, barragens e cisternas e usar tecnologias de outros países”, promete o chefe do Executivo. Neste sentido, através do programa Mais Água, Mais Renda, o objetivo é ter, pelo menos, 30% da cadeia do milho irrigada em até quatro anos.
Para esta Expointer, o Banrisul anunciou R$ 165 milhões em recursos para agricultores familiares e empresariais. O valor é 10% superior ao montante destinado no ano passado. A expectativa é de que a maior parte da quantia seja usada para financiar máquinas e equipamentos de irrigação. Neste sentido, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers) aumentará o espaço destinado a esses artigos. A entidade espera repetir o volume de vendas do ano passado, quando o faturamento foi de R$ 834,7 milhões.

Indústria de máquinas local teme fuga de fabricantes

Apesar do otimismo em relação ao desempenho dos negócios, o presidente do Simers, Cláudio Bier, aproveitou o lançamento do evento para pedir a ajuda do Estado na resolução dos problemas enfrentados com a Argentina. As barreiras protecionistas dos vizinhos levaram empresas gaúchas para o outro lado da fronteira, o que está debilitando o comércio exterior local, segundo Bier.  “Desse jeito, nós vamos perder o mercado de exportação para a Argentina. Temos que intervir enquanto ainda é cedo. Não queremos que aconteça com o setor de máquinas o que ocorreu com os calçadistas”, compara ele, que também defende um aumento da bonificação concedida aos exportadores.
Seguindo a mesma linha, Carlos Sperotto, entregou um documento ao governador com reinvindicações setoriais. Conforme ele, nas outras oportunidades em que o material foi distribuído, os gestores públicos não aproveitaram as sugestões. Em seu discurso, Sperotto reforçou que a feira traz a marca da superação. “Sempre que o produtor está caindo, ele arruma um gancho para suspendê-lo”, afirmou, em uma alusão às demonstrações circenses que foram feitas na cerimônia. Mas reiterou um alerta ao governador: “sem renegociação das dívidas e alongamento de prazos, os produtores ficarão sem acesso a novos créditos, e as vendas na Expointer poderão ser comprometidas.”

Fonte : Jornal do Comércio

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