Irregularidade das chuvas pode elevar quebra na soja

TALINE SCHNEIDER EMATER SANTA ROSA/DIVULGAÇÃO/JC

Perdas contabilizadas até agora na lavoura chegam a 26%

Perdas contabilizadas até agora na lavoura chegam a 26%

A chuva que caiu ontem em Santa Rosa foi um alento e poderá fazer a diferença na contabilidade de perdas da soja nos próximos dias no Estado. Mas tudo dependerá da distribuição da precipitação ao longo de fevereiro, advertem especialistas ligados a Emater-RS e à consultoria Safras & Mercado. Com a maior quebra até agora na cultura nas áreas de produção, que chegou a 32,7% no levantamento da Emater-RS na segunda quinzena de janeiro, a região de Santa Rosa havia ficado fora das benesses do clima, que favoreceu municípios na região de Santa Maria e do Vale do Taquari. Estimativa da consultoria coloca o Estado na liderança da quebra da safra do grão, com perda de até 26% até agora.
O gerente-técnico da Emater-RS, Dulphe Pinheiro Machado, reforçou que a má distribuição das chuvas frustrou até agora expectativas de interrupção de perdas, que foram computadas em 22,3% no total da safra estimada para o verão. O órgão previu a colheita de 10,3 milhões de toneladas, que recuou a 8 milhões. A aposta é que a partir de amanhã as ocorrências sejam mais pulverizadas. O analista-sênior da Safras & Mercado, Flávio França Júnior, reforçou que a irregularidade do clima prejudica previsões de estancamento de perdas. “Tem lavoura sofrendo e que pode perder mais. A perda pode ser maior”, preveniu o analista-sênior. 
“O padrão é muito ruim. Mesmo quem colher bem ainda será bem menos que no ano passado”, ampliou França, advertindo sobre o baixo desenvolvimento das plantas e pouca quantidade de grãos. “A questão agora é se piora ou estabiliza”. Machado ressalta que a fase atual da cultura é a mais decisiva. Conta em favor do aproveitamento das chuvas a maior capacidade de retenção de água pela planta. Uma virtude que vira aliada onde há umidade. “Mas a precipitação não é homogênea”, relativiza o consultor da Safras.
O engenheiro agrônomo da Emater-RS aponta que as lavouras das regiões de Ijuí, Santa Rosa e Passo Fundo estão nas zonas com tempo mais seco e também de muito calor. A chuva de ontem rompeu o período recente de escassez de água. Santa Rosa e os municípios que compõem a zona produtora concentra a terceira maior área de cultivo do grão, com 647 mil hectares. Ijuí lidera com 952 mil hectares. “A situação pós-estiagem de dezembro e janeiro é incerta. Em algumas áreas chove e outras não numa mesma região”, justifica o gerente-técnico. A próxima estimativa de safra só deve ser feita no fim do mês, antecipou.
Os municípios situados na Fronteira-Oeste, como Bossoroca e Liberato Salzano, concentram maior preocupação da área de extensão devido à baixa precipitação. Já Santa Maria somou cem milímetros de chuvas no fim de semana. “Isso ajuda a recuperar.
A perda nas lavouras chegou a 32% na região”, lembrou Machado. O Centro é a segunda maior extensão de plantio, com 784 mil hectares. O gerente-técnico aponta como fato positivo que as chuvas foram mais regulares no Sul e na serra, beneficiando pastagens para gado de corte e leiteiro. O governo estadual ampliou para mais 60 municípios em situação de emergência, passando o total a 339 nos três decretos coletivos. A Defesa Civil já disponibilizou R$ 6 milhões a 117 prefeituras.

Agroindústria brasileira registra queda de 2,3%

A agroindústria brasileira teve queda de 2,3% em 2011, na comparação com o ano anterior. A redução foi mais acentuada do que a registrada pela indústria geral no ano passado (0,3%). O dado foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O segmento agrícola teve retração maior, 1,6%. A pecuária teve uma queda de 0,6% no ano passado. No setor agrícola, os produtos industriais derivados da agricultura caíram 2,4%, com destaque para a redução dos derivados da cana-de-açúcar (-16,5%).
Já os produtos industriais utilizados pela agricultura (como fertilizantes e máquinas) cresceram 3,2%. No setor pecuário, os produtos industriais derivados da pecuária tiveram queda de 1,7%, com resultado negativo nos bovinos e suínos (-0,7%), nas aves (-2,2%) e no leite (-3,0%). Já os produtos industriais utilizados pela pecuária (como rações e produtos veterinários) cresceram 3,1% em 2011.

Fonte:  Jornal do Comércio | Patrícia Comunello

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