Ipanema tem novo sócio e faz parceria

Oferta de café da Ipanema não estava atendendo demanda, diz Rodrigues
Um dos principais grupos produtores de cafés especiais do Brasil, a Ipanema Coffees concluiu no último mês duas negociações que devem ser cruciais para o futuro da companhia. Além de uma relevante mudança na composição acionária do grupo, a Ipanema firmou uma parceria para ampliar sua oferta de cafés especiais.

Um dos grupos fundadores da Ipanema, a família Fernandes, que desde 2012, vinha reduzindo sua fatia no capital da empresa, zerou sua participação e saiu da companhia em fevereiro, quando a Santa Colomba Investimentos Agrícolas adquiriu 24% das ações. A nova sócia, que tem sede em Cocos (BA), foi fundada pelo engenheiro naval Fernando Prado e tem também entre seus acionistas um ex-executivo do Banco Garantia. O valor do negócio não foi revelado.

Até então, a ML Participações, da família Fernandes, tinha 33,5% das ações da Ipanema, a norueguesa Friele, 13%, e a Paraguaçu Participações, 15%. A alemã Tchibo e a japonesa Mitsubishi, que entraram na sociedade em 2012, tinham 16,5% e 20%, respectivamente. A menor fatia era do CEO da empresa, Washington Rodrigues, com 2%.

Com a venda dos papéis do grupo fundador, a Santa Colomba ficou com a maior parte das ações da Ipanema. A participação da Paraguaçu Participações foi a 23% e a de Rodrigues a 3,5%. As fatias de Friele, Tchibo e Mitsubishi foram mantidas.

Rodrigues afirma que não haverá mudanças na gestão da Ipanema com a entrada da Santa Colomba "pois nenhum grupo tem controle. É uma gestão compartilhada, na qual todos os sócios têm o mesmo peso e importância de voto", diz ele.

A Ipanema Coffees foi fundada em 1969 pelos grupos Fernandes e Bozano, Simonsen. Em 2006, o Bozano vendeu sua participação de 50% para o fundo Gávea (25%), para a Paraguaçu Participações (20%) e para Washington Rodrigues (5%). Mas dois anos depois, o Gávea vendeu sua fatia na Ipanema à norueguesa Friele. Então, a partir de 2012, o sócio majoritário começou a reduzir sua participação, o que culminou com a saída do capital neste ano.

A venda de participação para a Santa Colomba Investimentos Agrícolas acontece após várias tentativas do sócio fundador de diminuir sua fatia na Ipanema. Segundo Rodrigues, esse era o desejo da ML Participações havia anos, mas a maior parte dos interessados até então eram estrangeiros, o que enfrentaria restrições pela legislação brasileira sobre propriedade de terras.

As negociações para venda de participação para a Santa Colomba começaram no ano passado, de acordo com o CEO, como desdobramento da decisão da Ipanema de buscar, em 2014, novas fronteiras – entenda-se novas áreas – no país para a produção de cafés especiais.

A Santa Colomba Investimentos Agrícolas controla a Santa Colomba Café e a Santa Colomba Agropecuária, e produz café e outros grãos em Cocos, no cerrado baiano (ver a matéria Santa Colomba tem projeto ambicioso).

Hoje a Ipanema tem três fazendas onde produz café arábica no sul de Minas Gerais: duas em Alfenas e uma em Conceição do Rio Verde. "Passamos a buscar novas fronteiras porque a oferta de café das três fazendas não estava sendo suficiente para atender à demanda", afirma Rodrigues.

Ao mesmo tempo em que a Santa Colomba entrou como sócia na Ipanema, a empresa fechou parceria com a Santa Colomba Café, num acordo que prevê estruturação comercial, transferência de expertise de produção e de modelo de colheita e de beneficiamento. "Vamos definir a estratégia de venda e os mercados conjuntamente. A Ipanema vai utilizar sua área comercial para fazer a comercialização [do café] e os resultados positivos serão partilhados", diz.

Com o acordo, segundo ele, a Ipanema terá mais café disponível para comercialização e de duas diferentes regiões do Brasil: o sul de Minas, onde estão suas três fazendas, e o cerrado baiano, onde está a Santa Colomba. Além da aumentar a oferta de cafés especiais para a Ipanema, o acordo também permitirá à Santa Colomba exportar o grão.

Washington Rodrigues avalia que o primeiro ano da parceria na produção com a Santa Colomba Café "deve ser de aprendizado". "Vamos testar o modelo, num primeiro momento", acrescenta. Ele acredita que neste primeiro ano 10% das 40 mil sacas de café que a Santa Colomba produz em Cocos devem ser comercializadas pela Ipanema. "No ano que vem, devem ser 30% a 40%", estima. E, dependendo do resultado, afirma, a Santa Colomba poderia até aumentar sua área plantada com café. Hoje são 1.300 hectares em produção.

O CEO da Ipanema considera haver "pouco risco estrutural no sentido de aprendizagem" em relação à Santa Colomba Café, já que a empresa está produzindo há mais de dez anos.

Com uma área de café de 3 mil hectares nas três fazendas mineiras, a Ipanema colheu na safra passada, a 2015/16, 130 mil sacas do grão, sendo 100 mil de cafés especiais. Segundo Rodrigues, cerca de 85% da produção é destinada ao mercado externo.

Devido à bienalidade da cultura, a previsão é de uma produção menor, entre 85 mil e 90 mil sacas no ciclo 2016/17, que começa a ser colhido em maio. Para a safra 2017/18, a perspectiva é de recuperação, com uma safra estimada em 150 mil sacas, acrescenta.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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