InVivo fecha a compra da mineira Total e sinaliza que fará mais aquisições no país

Leonardo Rodrigues/Valor
Hubert de Roquefeuil, da InVivo, diz que receita no Brasil alcançará R$ 1,2 bi

Principal executivo global da área de nutrição e saúde animal do grupo francês InVivo, Hubert de Roquefeuil acabara de encerrar uma reunião de negócios no Itaim Bibi, em São Paulo, e mal conseguia conter o entusiasmo. "Há poucos minutos, o Brasil se transformou no país mais importante para nós", afirmou ao Valor na terça-feira, logo após sacramentar a aquisição da mineira Total Alimentos – a segunda maior da história do grupo InVivo em todo o mundo.

O entusiasmo era tanto que Roquefeuil até se esqueceu de um "detalhe". "Eu sempre me esqueço da França, a nossa pátria mãe", continuou ele, retificando a fala inicial. De fato, a compra da Total Alimentos fez o Brasil ultrapassar o México e se tornar o segundo mais importante para a área de nutrição e saúde animal da InVivo, que faturou US$ 1,9 bilhão no ano-fiscal 2013/14, que se encerrou em junho. Ao todo, o grupo francês, que também atua como trading agrícola e tem uma rede de revendas na França, faturou US$ 8,2 bilhões.

Controlada por um grupo de mais de 200 cooperativas agrícolas francesas, a InVivo, que era mais conhecida como Evialis até o ano passado, intensificou suas atividades no Brasil a partir de 2007, com a aquisição da mato-grossense Zoofort. De lá para cá, vieram mais três grandes compras, incluindo a aquisição dos ativos de nutrição animal que a Cargill controlava no Brasil. Com a Total, a InVivo retoma a agressiva estratégia de aquisições e já vislumbra novos negócios.

De acordo com Roquefeuil, a Total elevará o faturamento da InVivo no Brasil para R$ 1,2 bilhão, ante os cerca de R$ 700 milhões do último ano-fiscal. O executivo não quis revelar o valor da aquisição, mas uma fonte do setor afirmou ao Valor que, considerando os múltiplos usuais do segmento de nutrição animal – de 7 a 10 vezes o Ebitda -, a InVivo deve ter pago entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões para adquirir a Total Alimentos.

Com sede no município de Três Corações (MG), a Total é uma das maiores produtoras de ração para animais de companhia do país, como cães e gatos. Além disso, a empresa também produz ração para o gado leiteiro. De acordo com o presidente da InVivo no Brasil, Nilton Perez, a Total tem capacidade de produção de mais de 400 mil toneladas de ração por ano. Com isso, a InVivo passará a ter uma capacidade de 1,5 milhão de toneladas.

Do ponto de vista global, Roquefeuil afirma que a aquisição da Total é a primeira de outras tantas que devem ocorrer no segmento de nutrição animal ainda este ano. Atualmente, diz, a InVivo está negociando a compra de outras cinco empresas, na Indonésia, França e América do Sul. "Estamos muito próximos de assinar na Indonésia e as conversas estão no meio do caminho na França", revela o executivo. O Brasil também será palco de novos negócios, garante. "Estamos iniciando as conversas", afirma.

Para financiar todas essas aquisições, a InVivo contará com recursos de um aumento de capital da divisão de nutrição e saúde animal e também vai contrair dívida. Segundo Roquefeuil, a empresa pretende levantar € 400 milhões com as duas medidas. No caso do aumento de capital, que deve ficar entre € 200 milhões e € 250 milhões, a InVivo ampliará a participação de bancos e fundos no capital da divisão para 40% – hoje, essa fatia é de 25%. A expectativa do executivo é concluir o aumento de capital em janeiro de 2015.

No Brasil, o desafio da expansão da InVivo também é uma tentativa de reduzir a dependência das vendas de produtos para gado de corte e leite, que representa mais de 40% do faturamento da empresa. Embora a Total também produza ração para gado leiteiro, a aquisição da empresa já contempla a estratégia, afirma Perez, presidente da InVivo no país. Segundo ele, a aquisição da Total eleva a participação do setor de animais de companhia no faturamento da empresa de 2% para 20%. "No Brasil, estamos tentando achar o equilíbrio dos nossos negócios", explica ele.

Diante disso, Perez admite que comprar empresas na área de ruminantes não será a prioridade. O executivo não revela detalhes, mas uma das apostas da InVivo no Brasil é o setor de aquicultura, com a produção de ração para tilápia e camarão. Hoje, esse segmento responde por 25% da receita no país.

Além das aquisições, a InVivo prossegue com a sua estratégia, anunciada no ano passado, de investir R$ 100 milhões até 2016 em crescimento orgânico. A empresa já investiu um terço desse total.

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3736944/invivo-fecha-compra-da-mineira-total-e-sinaliza-que-fara-mais-aquisicoes-no-pais#ixzz3GJKU3Rs9

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *