Investidores cobram ação contra o desmatamento

Planalto está em alerta e passa a temer fuga de capital estrangeiro

Após videoconferência com representantes de fundos de investimento do exterior que manifestaram preocupação com o avanço do desmatamento na Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que os investidores esperam que o país apresente resultados na área de preservação ambiental. "Eles querem ver resultados e os resultados que podemos apresentar é que haja redução do desmatamento", afirmou.

Os representantes desses fundos fazem parte de um grupo de administradores de recursos que, no final de junho, enviaram carta aberta a embaixadas brasileiras na Europa, Japão e Estados Unidos pedindo uma reunião para discutir desmatamento na Amazônia.

A manifestação dos estrangeiros preocupou o Planalto, que passou a temer uma fuga de recursos do país diante a deterioração da imagem internacional do Brasil.

Mourão citou nesta quinta-feira que o governo trabalha com um planejamento até o final de 2022 para apresentar melhores resultados no combate ao desmatamento.

"A ideia é que vamos ao longo do tempo, com a continuidade de operações repressivas e a entrada efetiva dos demais pilares que o ministro Ricardo Salles (do Meio Ambiente) colocou; que a ministra Tereza Cristina (da Agricultura) colocou sobre regularização fundiária e pagamento por serviços ambientais, que a gente vá pouco a pouco, para usar uma expressão gaúcha, arriconando os que cometem ilegalidades. Para que a gente chegue a um número de desmatamento que seja aceitável", declarou.

Mourão ressaltou que o Brasil tem 84% da Floresta Amazônica preservada e não precisa derrubar "nem uma árvore a mais".

De acordo com o vice-presidente, foram retomadas conversas com dois grandes doadores do Fundo Amazônia, Noruega e Alemanha, e o Brasil aguarda uma resposta em relação às ações apresentadas para combate ao desmatamento.

"Uma vez que consigamos apresentar dados consistentes, os recursos serão novamente abertos a projetos para a Amazônia. Não há prazo, mas nossa visão é que, conseguindo apresentar no segundo semestre um resultado positivo em relação às queimadas, podemos dizer que estamos cumprindo nossa parte, agora podem cumprir a de vocês", acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que também participou da reunião, pontuou que os grandes acordos comerciais concluídos ou em negociação, em especial os com a União Europeia e com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), possuem cláusulas de preservação ambiental.

"Estes acordos são vistos como um risco, como se fossem incentivar a degradação ambiental no Brasil", afirmou Araújo. Segundo ele, o governo procurou mostrar que os acordos têm regras e compromissos ligados à preservação.

Araújo pontuou ainda que os instrumentos citados nos acordos comerciais reafirmam o compromisso ambiental do governo com a Amazônia. De acordo com o ministro, o esforço do governo é para mostrar ao exterior qual é a realidade do Brasil. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou que o presidente Jair Bolsonaro deve assinar, na semana que vem, um decreto para suspender queimadas legais no Brasil por 120 dias. Também participaram da reunião virtual, os ministros Braga Netto (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Fábio Farias (Comunicações).

Fonte: Jornal do Comércio

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