INTEGRAÇÃO – Entrevista: os novos passos da ILPF no Brasil

Ladislau Marin Neto, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa

Ladislau Martin, Embrapa (Foto: Embrapa/Divulgação)

Ladislau Martin, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa (Foto: Embrapa/Divulgação)

Depois da surpresa positiva com a divulgação da pesquisa sobre a adoção dos sistemas integrados no Brasil, o grupo de empresas que compõem a Rede de Fomento à ILPF planeja agora os próximos passos. Na entrevista a seguir, Ladislau Marin Neto, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, fala sobre o novo momento para a rede e seus parceiros.

Ele considera que o caminho trilhado pelos produtores brasileiros tem sido virtuoso, mas agora há necessidade de unir mais players do agro no desafio de espalhar conhecimento sobre o sistema.

Para Ladislau, todos ganharão com isso: produtores, empresas e o meio ambiente.

Confira os principais trechos da entrevista.
GR  Qual a prioridade da rede a partir de agora?
Ladislau Marin Neto  O dado da pesquisa sobre a adoção dos sistemas integrados no Brasil foi uma excelente notícia. Agora, projetamos a possibilidade de aumentar o número de players participantes da Rede de Fomento. Hoje, temos cinco empresas, além da Embrapa, e 97 Unidades de Referência Tecnológica (URTs) no país. Talvez tenhamos de criar uma associação para facilitar a entrada de novos participantes. Precisamos ter mais fôlego, mais braço… 97 URTs não é pouca coisa, tendo em vista a disponibilidade de recursos. Mas podemos, e devemos, disseminar muito mais a tecnologia. Como temos vários biomas, contar com players em cada bioma seria muito interessante.

GR  Que ganho teve a Embrapa com essas parcerias?
Ladislau  Identificamos oportunidades de pensar políticas públicas e apoio a novas iniciativas que virão. No ano passado, quando apresentamos o tema num congresso mundial, percebemos, por exemplo, quanto a qualificação da mão de obra será importante no futuro. Precisaremos cada vez mais de profissionais com uma visão holística. Por isso, pensamos em trabalhar com grandes universidades na criação de novas disciplinas em gradução e pós-graduação.

GR  E para as empresas participantes, qual o retorno?
Ladislau  Valorizar esse tipo de iniciativa é apostar no desenvolvimento econômico aliado à redução do impacto ambiental. Com a intensificação sustentável da atividade agropecuária, há uma série de implicações. Se numa situação de pastagem degradada o produtor começar a recuperar o pasto, ele vai usar mais fertilizante. Além disso, combinará o plantio de milho com a braquiária, usando mais semente. O que acontece é um efeito cascata em que todos ganham, sobretudo o meio ambiente.

GR  Que estratégia será adotada no curto e médio prazos?
Ladislau  Na semana passada, o ministro (da Agricultura e Pecuária) Blairo Maggi e nosso presidente (da Embrapa) Maurício Lopes estiveram em Marrakesh e puderam levar os resultados de grande relevância, em nosso entendimento. Mas, agora, precisamos levar isso em formato de road show mundo afora, buscando inclusive o programa da Embrapa de laboratórios virtuais no exterior, cuja sede fica em Washington (EUA). Apresentar os sistemas ao Banco Mundial, ou seja, usar o que já temos de estrutura para disseminar o conhecimento dessas tecnologias onde for possível.

GR  Qual o peso dos “sistemas integrados” dentro da Embrapa?
Ladislau  A Embrapa tem 25 portfólios de projetos e nossa prioridade são os sistemas integrados, que envolvem 500 pesquisadores da empresa, além de instituições parceiras. Estamos trabalhando há algum tempo para logo termos métricas, como acúmulo de carbono no solo, eficiência no uso de insumos, capacidade de retenção de água, conforto térmico para os animais, enfim, uma série de agendas que, no futuro, em função da diversidade dos biomas e das peculiaridades regionais, tem importância e deve ser consolidada no médio e longo prazos.

POR ESTÚDIO GLOBO

Fonte : Globo Rural

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