Iniciativa privada contra o gargalo logístico

 

Solução é empresariado investir em infraestrutura de transporte, dizem palestrantes

Velho conhecido dos produtores, o gargalo logístico do transporte de cargas no Brasil foi tema de um dos painéis do fórum Summit Agronegócio 2015, promovido pelo Jornal O Estado de S. Paulo na capital paulista.

Os números apresentados pelo CEO da Cosan, Marcos Lutz, um dos palestrantes do evento, mostram que o custo médio para transporte de grãos no Brasil é quatro vezes maior do que em outros grandes países produtores. Nos Estados Unidos, por exemplo, o frete custa R$ 31,2 por tonelada. Na Argentina, o valor é de R$ 34,5 e, no Brasil, de R$ 135,6. A explicação, segundo ele, está na dependência do modal rodoviário. Enquanto nos Estados Unidos 43% da malha de transporte de cargas corresponde a ferrovias, 32% a rodovias e 25% a hidrovias, no Brasil  71% da carga é transportada por rodovia, 10% por ferrovia e 19% por hidrovia, descontada a capacidade para transporte de minérios.

Depois de apresentar os dados, Lutz ironizou a falta de planejamento do governo. “O último grande investimento que fizemos em Santos foi um estacionamento para caminhões, não podemos continuar assim”, disse. Segundo ele, o frete rodoviário de Lucas do Rio Verde para o principal porto do Estado de São Paulo custa R$ 310 por tonelada. Se a opção fosse pelo modal ferroviário o valor seria de R$ 270. “A diferença é que esses R$ 310 não pagam a manutenção das estradas do Mato Grosso que ficam destruídas. É só pneu e diesel que você está queimando”.

Para Carlos Fávaro, vice-governador de Mato Grosso, a solução é que a iniciativa privada custeie investimentos em infraestrutura. “As concessões são necessárias para a viabilização dos eixos de logística”, afirmou. Nos últimos três anos, foram gastos R$ 210 milhões na revitalização de rodovias no Estado, tudo vindo do orçamento de empresas particulares.

Em Mato Grosso, outra iniciativa para melhorar a infraestrutura logística foi o direcionamento de recursos para o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), explicou Fávaro. Motivo de chacota entre os produtores pela ineficiência do direcionamento de recursos no governo anterior – que terminaram indo para obras da Copa e folhas de pagamento – hoje o fundo está recuperando importância. “São R$ 900 milhões anuais arrecadados entre o transporte de commodities e óleo diesel e que, se bem aplicados, podem fazer a diferença na nossa região”, disse o vice-governador..

Fernando Simões, presidente da JSL, disse que não há gargalo logístico que segure o desenvolvimento e a inovação da iniciativa privada brasileira. "Não temos que esperar a criação pelo lado do governo, precisamos sim melhorar o que já existe para que tenhamos soluções imediatas", afirmou, referindo-se à malha ferroviária brasileira. Segundo ele, não é necessário investir em novas obras, mas fazer a manutenção do que foi construído no passado. "Temos 30 mil km de ferrovias, sendo que 6 mil operam com densidade de menos de um trem por dia", completou. Simões também levantou a necessidade de renovar a frota nacional de caminhões, que tem idade média de 19 anos.

Marina Salles

Fonte: Portal DBO

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