INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA – Frete mínimo vai encarecer produtos que usam rodovias, dizem produtores

Setor produtivo avalia que apoio à greve dos caminhoneiros foi um tiro no pé e que impacto no campo será de milhões

caminhos da safra - soja - porto - rodovia - máquinas agrícolas - bahia - Chapada Diamantina (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)

Entidades que representam setores do agronegócio se manifestaram contra a medida (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)

Os produtores de soja e milho argumentam que a MP 832, que instituiu uma tabela de preços mínimos para o frete, aprovada no Congresso e encaminhada ao presidente Michel Temer para sanção, contraria a lei da oferta e da demanda, desregula o livre mercado “e vai provocar um efeito cascata nos preços de todos os produtos que dependem do transporte rodoviário de cargas para chegar aos consumidores”.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) afirma, em nota, que vai buscar todos os recursos possíveis nos três poderes para reverter a decisão. Já a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) calcula os impactos no bolso do setor produtivo. As entidades sentem que o efeito da greve dos caminhoneiros foi um tiro no pé. A Aprosoja-GO, por exemplo, informa que apoiou a greve por avaliar justo o protesto contra a alta do diesel, que causa impacto de até 40% no custo da produção de soja.

Mas, no que depender da entidade, os produtores não devem pagar a conta pelo aumento do preço do transporte, outra reivindicação dos motoristas. Como alternativa, os produtores defendem a redução de tributos sobre pedágios e insumos como pneus, lubrificantes e peças de reposição, jogando a batata quente para a indústria. E defende ainda “a criação de uma agenda de Estado comprometida com a melhoria da infraestrutura de transportes e logística”, no sentido de reduzir a dependência do País no setor rodoviário.

Peso no bolso

O motivo de tanta preocupação vem do bolso. De acordo com o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária Goiana (IFAG), as perdas no setor de grãos no Estado entre o final de maio até ontem chegaram a R$ 600 milhões. Esses são reflexos da alta do frete desde o fim da greve dos caminhoneiros, que elevou o preço de insumos agrícolas e prejudicou a cotação dos grãos.

As incertezas sobre o preço do transporte, afirma a entidade, também reduziram ou até paralisaram o fluxo de negociações nas últimas semanas. “Tudo isso gera um efeito cascata que prejudica não só os produtores, mas toda a população”, diz em nota o presidente da Aprosoja-GO, Adriano Barzotto. “Já estamos sentindo e, provavelmente, haverá um aumento ainda maior da inflação nos próximos meses.”

Com a redução do transporte de soja até os compradores, os silos não poderão comportar a safrinha de milho do Estado. “Apesar do atraso no plantio, estamos conseguindo bons resultados nas lavouras, mas agora esse milho está chegando e não vamos ter onde colocar, porque os armazéns ainda têm muita soja", duz Barzotto. De acordo com a entidade, a expectativa é de se produzir 6,64 milhões de toneladas de milho, que devem ser colhidos até meados de agosto.

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL

Fonte: GLOBO RURAL