INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Ninguém segura a soja

    A colheita da supersafra de soja deste ano no Estado encerrou já há algum tempo um novo ciclo está sendo semeado. Mas a economia gaúcha segue colhendo os resultados positivos da lavoura. Puxadas pelo grão, as exportações do Rio Grande do Sul cresceram 24,6% em receita no terceiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, como mostram os números divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Nas vendas para o mercado externo, o principal produto da agricultura do Rio Grande do Sul somou US$ 1 bilhão a mais de julho a setembro deste ano do que em igual período de 2012. Há que se considerar nesse aumento significativo, claro, a seca de 2012, que derrubou a produção.
    – Tudo que se referir à agropecuária, neste ano, será superlativo porque a base da comparação é baixa – pondera Antonio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    De qualquer forma, por conta da conjuntura atual – demanda mundial em alta, bons preços e boa safra –, a soja teria um desempenho positivo.
    Soma-se a esse momento a projeção otimista para 2014, e o resultado é o que se vê Estado afora: soja se multiplicando em novas áreas.
    A expansão em cima de outras culturas, como o arroz e da pecuária, deixou de ser encarada como um fenômeno a ser temido. Produtores buscam, agora, as adaptações necessárias para fazer não só a lavoura, mas também a pecuária render.

  • Rastreabilidade lá, identificação cá

    Em um evento onde se debate a produção da pecuária gaúcha, o tema rastreabilidade não poderia passar batido. Ontem, na 54ª Etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, realizado pela Federação da Agricultura do Estado, em Santa Maria, o assunto foi trazido por Fabio Montossi, diretor do Programa Nacional de Investigação para a Produção de Carne e de Lã do Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária do Uruguai. No país vizinho, 100% do rebanho – de 11,5 milhões de cabeças – é rastreado.
    A implementação do sistema, que é obrigatória, ocorreu de forma gradual, com o custeio a cargo do governo no período entre 2004 e 2010.
    – O foco na rastreabilidade se deu por dois motivos: a questão sanitária e a evasão fiscal – afirmou Montossi, ao falar sobre as mudanças na pecuária uruguaia, que também tem perdido espaço para as lavouras.
    Agora, a ferramenta se transformou em um diferencial do produto uruguaio. Montossi ressaltou que a opção por rastrear o rebanho deve ser “estratégica”, e requer “maturidade” de todos os atores envolvidos, para que se transforme a realidade.
    Aqui no Estado, um novo projeto de lei para implementar a identificação bovina está sendo costurado pela Secretaria da Agricultura, depois que o original foi retirado da Assembleia.

  • Agrotóxicos nos alimentos

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou ontem, na Capital, os resultados do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos nos últimos dois anos. Em 2011, o percentual de amostras insatisfatórias chegou a 36%. O campeão foi o pimentão (89%). Em 2012, as irregularidades baixaram para 29%, com o morango (59%) em primeiro.
    Além de alimentos consumidos in natura, o programa também analisa arroz e feijão, base do prato dos brasileiros. Os problemas se referem a defensivos não autorizados para determinadas culturas ou níveis de resíduos encontrados acima do permitido. No Estado, o percentual de amostras insatisfatórias ficou em 35% nos dois anos.

  • A principal irregularidade

    O principal problema verificado pela Anvisa foi o uso de agrotóxicos não autorizados nos cultivos onde os produtos foram encontrados.
    Para a agência, uma das causas é o baixo peso econômico dos hortigranjeiros no agronegócio, o que leva as empresas a terem pouco interesse em registrar produtos para essas culturas. A situação implica risco não apenas ao consumidor, mas também para quem aplica o produto químico nas propriedades.

  • Para um produtor gaúcho radicado no Uruguai, não é a baixa oferta de gado no país vizinho que levou à importação de carne do RS este ano. As aquisições no Estado seriam somente uma estratégia para baixar o preço do boi gordo do outro lado da fronteira.
    Colaborou Caio Cigana

Fonte: Zero Hora

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