INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Pecuária à moda do consumidor

    Dizer que é o consumidor quem dita o ritmo de produção e quem determina qual produto deve chegar às prateleiras dos supermercados não é grande novidade. Mas essa poderosa ferramenta de gestão, já absorvida e utilizada em muitos setores da produção, é um dever de casa que ainda precisa ser feito quando se trata de pecuária de corte.
    Sim, o criador tem de começar sua produção do consumidor para a porteira, e não o contrário. Quem afirma isso são especialistas brasileiros e estrangeiros reunidos na Capital para a 8ª Jornada do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da UFRGS.
    – O bom produtor, que tem gestão, inovação, está tentando olhar para o que o consumidor quer. Porque, a partir daí, se busca a técnica mais adequada para chegar ao resultado desejado – afirma o médico veterinário Silvio Menegassi.
    Luís Kluwe Aguiar, especialista em política de alimentação, com atuação na Royal Agriculture University e prestes a estrear na Harper Adams University, duas instituições tidas como referências em agronegócio da Grã-Bretanha, faz uma projeção da pecuária em 2020. Sob a visão do consumidor.
    Cinco grandes temas deverão chamar a atenção das pessoas, das indústrias e do governo neste cenário futuro: produção de alimentos saudáveis, sustentabilidade, preço, desperdício e conveniência.
    – O consumidor na Europa e nos Estados Unidos não tem tempo para sentar e comer em um restaurante. Nas grandes cidades, com seus engarrafamentos, o carro, por exemplo, virou um novo ambiente de consumo – observa Aguiar.
    Como consequência desses diferentes aspectos que influenciam o mercado da carne, o produtor vai precisar estar mais bem preparado. Ou seja, terá de buscar qualificação técnica, ser muito mais profissional. Apenas paixão e tradição, em um negócio que passa de pai para filho – realidade de muitas propriedades gaúchas –, não será mais suficiente.

  • Já é tempo de soja

    Nos campos gaúchos ainda é o trigo que domina a paisagem, mas no Centro-Oeste, a soja começa a pedir passagem. Apesar da chuva irregular, produtores de Mato Grosso já estão plantando o grão da safra 2013/2014. A projeção da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) é de que a área cultivada com o grão no país cresça cerca de 4% no novo ciclo, principalmente sobre áreas de pastagens, com produção nacional estimada em 85 milhões de toneladas.
    Entre os desafios a serem superados pelo produtor para a boa colheita, velhos conhecidos, como o clima e a ferrugem asiática, e outros mais recentes, como a lagarta helicoverpa armigera.
    Apesar das colheitas fartas e recordes, a produtividade do grão é outro ponto que ainda pode avançar.
    – Em 20 anos, a produtividade cresceu 35%. Mas nos últimos 10 anos, apenas 4% – pondera Glauber Silveira, presidente da Aprosoja.
    A abertura oficial do plantio da soja, aliás, será amanhã, em Sinop (MT), e terá a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

  • Com o fim do período da entressafra, que leva ao aumento da oferta, o valor de referência para o leite tipo padrão foi projetado pelo Conseleite em R$ 0,9244 para o mês de setembro. O indicador ainda mostra o preço em alta, embora em ritmo menor. Enquanto entre junho e agosto o aumento chegou a 5,49%, entre julho e setembro ficou em 3,28%.

  • Vem aí a Cotrijui SA?

    Para dar liquidez às operações e quitar pendências com fornecedores, bancos e associados, a Cotrijui, com dívida estimada em R$ 500 milhões, tenta criar uma empresa SA. O negócio é mais uma tentativa da diretoria para driblar a crise. O próximo passo é a elaboração de plano de negócios pelo Banco Plural Brasil, que já teria investidores interessados.
    – A cooperativa entraria com a capacidade de armazenagem e a produção dos associados, e os parceiros financeiros com o capital – diz o presidente da Cotrijui, Vanderlei Fragoso.
    Credores da cooperativa, os associados teriam oportunidade de receber – o passivo com produtores chega a R$ 170 milhões.

  • Os russos desembarcam no Brasil. De novo. Técnicos devem chegar ao país na segunda quinzena de outubro. O roteiro ainda não está definido. Enquanto isso, na Argentina, o ministro Antônio Andrade cobrou cumprimento da cota acordada para entrada da carne suína no país vizinho.
    Colaborou
    Fernando Goettems

Fonte: Zero Hora

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