INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Ainda as barreiras argentinas

    Tradicional mercado para a carne suína produzida no Estado, a Argentina segue com uma barreira não declarada ao produto brasileiro. As exigências do governo, oficiais ou extraoficiais, têm tornado simples negociações comerciais tão complicadas que se tornam inviáveis.
    Prova disso são os volumes exportados, que vêm caindo desde 2012, quando o governo passou a exigir um novo documento para entrada de nossos produtos por lá – as chamadas declarações juramentadas antecipadas de importação.
    Com a regra não escrita do um por um, passou-se a exigir, para cada dólar importado, a exportação de igual valor.
    Em 2011, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora da Carne Suína (Abipecs), 42.032 toneladas foram vendidas à Argentina. Em 2012, o volume caiu para 23.387 toneladas. Neste ano, até agosto, a quantidade embarcada chegava a 9.773 toneladas, ante 12.800 toneladas de igual período do ano passado. No mês de agosto, foram apenas 439 toneladas.
    – Gostaria de poder dizer que esse problema está resolvido, mas estamos longe disso – afirma Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips), em relação aos entraves à entrada do produto brasileiro (e gaúcho) no país vizinho.
    Não é a falta de interesse que emperra as negociações. Pelo contrário, existe inclusive a necessidade de comprar produto brasileiro, mas as importadoras têm dificuldade em dar a contrapartida exigida em termos de exportação.
    – A informação que temos é de que essas indústrias estão com a capacidade ociosa por falta de produto – completa o dirigente do Sips.
    Cansadas de esperar por uma solução para a questão – anunciada várias vezes –, indústrias desistem de apostar na Argentina e buscam outros destinos para seus produtos.
    Até porque o destino da carne tem relação direta com todo o planejamento da produção, que começa no alojamento de matrizes.

  • Na mesa uruguaia

    Para garantir o abastecimento interno de carne, o Uruguai, que é um tradicional exportador, têm recorrido ao Brasil. O Frigorífico Silva, de Santa Maria, é um dos que está fornecendo produtos aos uruguaios. Conforme Gabriel da Silva Moraes, sócio e diretor da empresa, há cerca de um mês a unidade vem embarcando 44 toneladas de carne por semana para o país vizinho:
    – Quando falta carne no mercado interno, o Uruguai costuma buscar produto na Argentina ou no Rio Grande do Sul, por conta da qualidade.
    A iniciativa, porém, é temporária – até a demanda estar regulada. Moraes projeta embarques até o próximo mês. Em breve, o Frigorífico Silva irá ampliar a capacidade. Com a conclusão das obras nas câmaras de armazenagem de carcaça, a capacidade de abate, atualmente 650 cabeças por dia, será ampliada.
    Para o consultor Fernando Velloso, da consultoria FF Velloso & Dimas Rocha, o desabastecimento no mercado uruguaio tem relação com a matriz de exportação. Ao acessar mercados que remuneram mais, eles optam por vender o que produzem e importar carne para o consumo interno.
    – Eu leio de forma positiva esse movimento. Conseguiram a colocação em países que pagam mais e aí importam produtos mais baratos para atender o mercado interno – diz Velloso.

  • A alta na exportação de grãos levou a trading ADM do Brasil a superar a BRF no ranking das maiores exportadoras no período de janeiro a agosto, quando teve receita de US$ 3,453 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. A BRF somou US$ 3,423 bilhões, o que a empurrou para o sexto lugar da lista.

  • Diversificação em debate

    Será no Rio Grande do Sul, a 4ª Reunião do Grupo de Trabalho para os artigos 17 e 18 da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Controle do Tabaco. Participam do evento, que será realizado em Pelotas no próximo dia 1º, representantes de 18 países. Em pauta, temas como a diversificação do cultivo e a proteção da saúde do produtor. No encontro também serão relatadas as experiências desenvolvidas no país por meio do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco.
    Um dia antes, a Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e de seus Protocolos (Conicq) irá fazer uma reunião aberta. Interessados devem se inscrever pelo e-mail ecavalcanti@inca.gov.br até amanhã.

  • Começa amanhã, em Passo Fundo, a Agrotecnoleite. A feira vai até sexta-feira e é realizada no centro de eventos e nos campos de pesquisa da UPF. Entre os debates, a política de confiabilidade da cadeia produtiva, que será tema na quinta-feira, em encontro das comissões de Agricultura da Câmara dos Deputados e da Assembleia gaúcha.
    *Colaborou Vanessa Kannenberg

Fonte: Zero Hora

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