INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • É difícil entender os russos

    Deve estar no complicado idioma russo a razão para tanta dificuldade de compreensão no que diz respeito à autorização ou melhor, a falta de para a venda de carnes a esse importante mercado. Só isso para explicar tantas idas e voltas com relação ao embargo existente para Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso, que se estende desde junho de 2011.
    Cada versão traz um novo entendimento sobre o alcance da restrição. No ano passado, os russos vieram ao país e visitaram uma série de unidades. Em novembro, o Ministério da Agricultura anunciou o fim da suspensão, embora admitisse que, na prática, os frigoríficos só conseguiriam realizar embarques a partir de 2013. A explicação era a de que as indústrias teriam de aguardar as regras de equivalência.
    Para os frigoríficos gaúchos, não houve retomada. Segundo Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Produtoras de Carne Suína (Sips), três Estados (RS,PR e MT) continuam sem exportar carne suína. À época da suspensão, o Brasil vendia 14 mil toneladas por mês à Rússia – cerca de 50% do Estado.
    Agora, os russos voltam. Embora a visita seja considerada de rotina, volta a esperança de reconquistar o mercado. Por ora, estão confirmadas três unidades de abates de suínos.
    Na quarta-feira, dia 3, será a da BRF de Lajeado. Na quinta-feira, a do frigorífico Alibem, de Santo Ângelo, e na sexta-feira, o da mesma marca em Santa Rosa. Fora do protocolo, há uma tentativa também de conseguir levar os técnicos até a unidade da Cotrijui de São Luiz Gonzaga – única planta de suínos gaúcha habilitada a exportar para a China e que tem condições imediatas de atender a uma demanda específica dos russos, a de produzir carne sem ractopamina (substância usada para acelerar o crescimento).
    Com os russos têm fama de procurar fio de cabelo em ovo, melhor caprichar na tradução desta vez, para entender tim-tim por tim-tim o que, afinal de contas eles precisam para voltar a comprar nosso produto.

  • O custo da irrigação

    Para irrigar todas as áreas necessárias no Estado, seria necessário um valor equivalente a R$ 58 bilhões em investimentos públicos e privados. O número foi apresentado ontem durante o 1º Encontro de Irrigantes por Aspersão, promovido pela Federação da Agricultura no Estado (Farsul).
    O alto investimento exigido, com pelo menos 156 mil pivôs centrais, é apontado pela entidade como um dos gargalos para expandir a área irrigada no Estado.
    – O custo de um pivô para uma propriedade de até 50 hectares é de cerca de R$ 15 mil. Acima de 50 hectares, entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. Além do valor maior, o pequeno produtor tem dificuldade para apresentar garantias de crédito – completa Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.

  • Legislação e energia ainda são limitadores

    Uma das alternativas para melhorar a irrigação é tirar do papel a Política Nacional de Irrigação, prevista em lei federal de janeiro deste ano. Pela legislação, todos os Estados terão de ter programas próprios.
    – A mudança de cenário passa por um plano atento às necessidades de cada local, que estabeleça onde devem ser feitos os investimentos e de que forma – defende Alexandre Saltz, promotor de Meio Ambiente da Capital.
    Com só 2% da área de sequeiro irrigada, o Estado eliminou a espera pelas licenças ambientais para açudes de até 10 hectares e de pivôs que irrigam até cem hectares. Nas demais modalidades, o licenciamento demora de seis meses a um ano, conforme Saltz.
    – Outro limitador é a distribuição de energia elétrica. Hoje, como alternativa, o produtor usa óleo diesel como energia, mas a médio e longo prazo pode não ser economicamente viável – alerta Reimar Carlesso, professor da Universidade Federal de Santa Maria.

  • Decisão da Justiça dá ganho a fumageiras

    A 2ª Vara Judicial da Comarca de São Lourenço do Sul julgou improcedente a ação civil pública movida pela Associação Lourenciana de Pequenos Agricultores contra a fabricante de cigarros Souza Cruz e outras fumageiras.
    Os produtores questionavam itens como o processo de classificação e pesagem de tabaco, os critérios para estabelecimento do preço do fumo em cada safra e a regularidade das cláusulas dos contratos de compra e venda de tabaco.

  • Nos próximos 10 anos, a produção de grãos deverá somar 222,3 milhões de toneladas, com potencial para 274,8 milhões de toneladas, aponta a pesquisa Projeções do Agronegócio 2012/13 a 2022/23, do Ministério da Agricultura.

  • O LEILÃO de trigo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizado ontem teve 94% da oferta vendida – 54,61 mil toneladas de 55,78 mil toneladas. No Rio Grande do Sul, foram compradas 30,11 mil toneladas, 97,8% da oferta. O preço médio pelo produto gaúcho foi de R$ 765,73 por tonelada.
    *Colaboraram Joana Colussi e Vanessa Kannenberg

Fonte: Zero Hora

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