INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Como se faz uma mesa mais farta

    Para produzir efeito real sobre os preços de itens como tomate e batata grandes vilões da inflação recente , o governo precisa centrar forças em ações voltadas aos agricultores familiares. É da lavouras deles que vem 70% da produção nacional de alimentos.
    E, para os pequenos produtores, crédito ampliado é uma medida bem-vinda, mas, sozinha, não resolve a equação das dificuldades encontradas pelo país afora.
    Com um modelo atual que valoriza commodities como a soja, o agricultor se sente pouco estimulado a apostar nos alimentos. Os ganhos maiores do grão seduzem e, não raro, acabam provocando a migração de uma cultura para a outra. A área destinada ao feijão, por exemplo, vem sistematicamente encolhendo no Rio Grande do Sul.
    – O agricultor tem acesso ao crédito, mas qual a logística que tem para distribuir o que produz? Qual a assistência técnica? – questiona Cleonice Back, coordenadora no Estado da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul).
    Uma das propostas da entidade, já formalizadas em proposta entregue ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e à Secretaria-Geral da Presidência da República, é a criação de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) específico para a agricultura familiar. Seria um suporte para a execução de políticas públicas que contemplem o contexto dessa produção específica.
    Esforços já vêm sendo realizados, e em 10 anos de Plano Safra houve avanços significativos. Um dos mais recentes projetos do governo é a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), cujo projeto de lei foi assinado pela presidente Dilma Rousseff. Mas seu papel ainda não ficou claro aos olhos dos produtores.
    – Quando o produtor tem incentivo, começa a produzir mais. Produzindo mais, o preço ao consumidor cai – avalia Cleonice.

  • Deu suco, e é orgânico

    Com 65 sócios-produtores, a Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí, a Ecocitrus, de Montenegro, se prepara para uma nova fase. Em um mês, a agroindústria colocará em funcionamento uma fábrica de sucos e de óleos dentro da estrutura já existente (no detalhe), em um investimento de R$ 6 milhões. Os recursos vêm de financiamentos do BRDE, Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi.
    As novas instalações permitirão o processamento de 6 mil toneladas por ano de bergamota verde para a fabricação de óleos, com destino principal (95%) no mercado externo. Outras 20 mil toneladas de laranjas e bergamotas maduras serão usadas na produção de sucos e de óleos.

  • – Trabalhamos com orgânicos, que têm grande demanda – afirma Fábio José Esswein, presidente da Ecocitrus.
    Uma parceria firmada com a cooperativa Coofrutaf – da qual a Ecocitrus também é parte – permitirá ainda a industrialização da produção da entidade na nova fábrica.

  • Depois do leite derramado, novos apertos no controle

    Para tentar evitar novas adulterações no leite, como as identificadas na Operação Leite Compen$ado, o Ministério da Agricultura negocia a redução do horário de recebimento do produto. O sistema atual, que funciona 24 horas, é apontado como uma das brechas existentes no controle do leite. Outra novidade é a possibilidade da superintendência federal do agricultura realizar coletas de amostras de leite UHT oferecidos por preços muito baixos.
    O prazo para participar da disputa do 31º Prêmio Gerdau Melhores da Terra, na categoria destaque, se encerra amanhã. As inscrições podem ser feitas pelo site www.melhores daterra.com.br

  • Falta gente para fiscalizar

    Em tempos de fraude no leite, a falta de fiscais preocupa. Levantamento da Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro) mostra que há uma carência de 217 profissionais – a maior parte médicos veterinários.
    – Há estabelecimento deixando de abrir porque não tem gente para fazer a fiscalização – afirma Gustavo Diehl, tesoureiro da Afagro.
    A situação pode ficar ainda pior em 2015, quando mais de cem veterinários poderão se aposentar. O concurso público que será realizado para preencher 130 vagas (das quais 120 para fiscais) ainda está à espera do edital.

  • Um balanço apresentado ontem mostra que o programa de irrigação Mais Água, Mais Renda conta com 1,3 mil adesões, somando cerca de R$ 200 milhões em financiamentos. Os dados são da Secretaria da Agricultura.

Fonte: Zero Hora

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