INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Produtor capitalizado corre mais riscos

    Nem bem terminou a colheita da safra de verão e o produtor gaúcho já está de olho no que o próximo ciclo da soja pode render. Entusiasmado com os resultados positivos da produção recorde de soja 12,53 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento , o agricultor gaúcho está capitalizado e, por isso, tem se permitido correr mais riscos.
    Mesmo sem ter vendido toda safra atual, o produtor já está comercializando antecipadamente a soja do ciclo 2013/2014. Isso apesar do cultivo só começar no Rio Grande do Sul na primavera.
    Com papel importante no desenvolvimento da produção, o clima deve seguir no próximo verão a tendência de neutralidade – ou seja, sem a marca de fenômenos conhecidos como o El Niño ou o La Niña.
    – O produtor começará a plantar a safra 2013/2014 em outro cenário, bem diferente do ano passado – ressalva o meteorologista da Somar Paulo Etchichury.
    A observação do especialista remete a 2012, quando a seca impôs duras perdas no sul do Brasil no início do ano e, depois, nos Estados Unidos, com uma quebra que sacudiu o mercado global e trouxe altas históricas para o preço da commodity na Bolsa de Chicago. Neste ano, o tempo se “regularizou”. Houve uma boa produção no Rio Grande do Sul – ainda que a falta de chuva tenha determinado prejuízos pontuais. Os americanos tiveram um atraso no plantio do grão, por conta do frio do inverno que se prolongou. Mas o indicativo do verão que se inicia no Hemisfério Norte na sexta-feira é de que seja diferente, sem seca.
    Por aqui, a previsão de chuva intensa no Sudeste e no Centro-Oeste nos meses de janeiro e de fevereiro traz como contrapartida o risco de estiagem (leia-se chuva escassa e não seca) para o Estado.
    Seja qual for o tempo, é importante seguir apostando em tecnologia, na orientação e na busca por informação. Para não deixar nas mãos de São Pedro toda a responsabilidade.
    – Às vezes, o produtor adota uma estratégia errada e aí culpa o clima – alerta Etchichury.
    Ainda que os resultados tenham ficado abaixo da projeção inicial, os números consolidados do Sindicato dos Leiloeiros Rurais e das Empresas de Leilão Rural do Estado (Sindiler-RS) mostram valorização crescente do quilo do terneiro na temporada de outono. Na comparação com 2012, a oferta de terneiros ficou 15,4% mais enxuta. Em compensação, o preço do quilo cresceu 6,16%, ficando na média em R$ 4,31.
    – Como antes mesmo da temporada a venda de terneiros estava aquecida, minha perspectiva era de valores entre R$ 4,50 e R$ 5, mas esse número final é muito positivo – avalia o presidente do Sindiler-RS, Jarbas Knorr.
    No total, foram vendidos 54,23 mil animais (terneiros, terneiras e vaquilhonas) neste outono, ante 56,69 mil do ano passado, com faturamento de R$ 43,18 milhões. Um dos destaques da temporada foi a feira de Santa Vitória do Palmar, que teve o quilo do terneiro negociado a R$ 5,25.
    Para a primavera, segue a tendência de menos animais – dessa vez touros e ventres – em pista.
    Apesar de embargos que ainda persistem, as exportações brasileiras de carne bovina tiveram faturamento recorde nos primeiros cinco meses do ano, chegando a
    US$ 2,5 bi,
    segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Também houve crescimento no volume, que somou 562 mil toneladas, alta de 22,57% maior em relação ao mesmo período de 2012.

  • Carne certificada ganha novas adesões

    Santa Catarina é o sétimo Estado a aderir ao Programa Carne Angus Certificada, ao credenciar para abates o Frigorífico Verde, em Pouso Redondo, na região de Lages. O anúncio será feito hoje, na 19ª Feicorte, em São Paulo. A expectativa inicial é de que sejam abatidos de 500 a 600 animais por mês na unidade.
    Com a adesão catarinense, são oito os frigoríficos autorizados a abater animais da raça – no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
    Ontem, foi a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) apresentar, durante a feira, o selo Carne Certificada Hereford. A marca surge 12 anos após a criação do pioneiro Programa Carne Pampa, que teve crescimento de 48% em 2012, com 56 mil animais abatidos só no Estado. Para os próximos dois anos, a expectativa é ultrapassar 100 mil animais certificados por ano em todo o país.

  • Linha direta com o porto

    O Vale do Rio Pardo, principal região produtora de tabaco do país, planeja construir entreposto à beira do Rio Jacuí, em Rio Pardo, de onde sairia a produção agrícola da região para ser exportada a partir do porto de Rio Grande. Antes de fazer o projeto, as prefeituras farão levantamento da produção exportada. Empresários reunidos ontem com a Empresa de Planejamento e Logística, do governo federal, em Santa Cruz do Sul, estimam que mais de 25 mil contêineres com folha de fumo poderiam ser exportadas pelo condomínio. A região ainda tem produção de milho e soja.
    A 14ª Jornada da Viticultura Gaúcha será realizada amanhã na Associação Esportiva, Recreativa e Cultural dos Motoristas de Fagundes Varela. O tema do encontro será Qualificação e Diferenciação da Produção de Uvas para Garantir Sustentabilidade.
    Colaboraram Joana Colussi e Vanessa Kannenberg

Fonte: Zero Hora

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