INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN*

Entrou água no fundo do leite

Apresentada como uma das propostas do governo para desenvolver o setor, a criação do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite do Estado (Fundoleite) terá de esperar. Pelo menos mais 30 dias. É que o pedido de urgência do projeto de lei foi retirado depois de encontro, na manhã de ontem, entre representantes de seis entidades de representação do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços no Estado Farsul, Fetag, Fiergs, Fecomércio, FCDL-RS e Federasul e o governador Tarso Genro.
Os dirigentes das federações pediram mais prazo para discutir o assunto e foram atendidos. Dentro de 30 dias, a urgência na votação do projeto será reavaliada. Entre as preocupações a serem debatidas neste período, está o modelo de gestão proposto para o fundo, controlado pelo governo gaúcho. Existe o temor, alimentado por lembranças do passado, de que os recursos recolhidos para fomentar a produção de leite possam ser absorvidos pelo caixa único do Estado em caso de necessidade.
– Não somos contrários ao fundo, mas precisamos de um pouco mais de discussão. Não queremos repetir eventuais falhas – argumenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), Elton Weber.
Com o Ibravin e o Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) como referência, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, argumenta que 98% dos recursos do Fundoleite – por uma imposição legal não poderia ser 100% – iriam “direto” para o Instituto Gaúcho do Leite, que será privado.
A composição do conselho deliberativo de gestão do fundo, com participação majoritária do governo, porém, é um dos pontos polêmicos. Sim, os projetos seriam propostos pelo setor privado, mas teriam de passar pelo crivo do conselho.
Inicialmente, o Fundoleite teria arrecadação de R$ 3,567 milhões, a ser formada por partes iguais de produtores, indústria e governo – que também reforçaria o caixa com valores referentes a crédito presumido de produtos lácteos. Talvez esteja aí outro ponto de polêmica. Porque a conta do fundo, por menor que seja, como argumenta o secretário – R$ 0,0004 por litro de leite –, virá.

  • Estreia na pista da Feicorte

    Antenado às principais tendências do setor, a 19ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), maior feira indoor de pecuária, começou ontem no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, com estreia. A Associação Brasileira de Criadores de Devon (ABCD) participa pela primeira vez da feira (foto) com exemplares de propriedades gaúchas.
    São 12 animais de argola das cabanhas Nossa Senhora Aparecida, Santa Lúcia, Santa Maria, Paludo Agropecuária, São Valentim e Santo Antônio. Ao todo, 250 empresas participam do evento, que conta com 4 mil animais de 20 raças de bovinos e duas de ovinos.
    – A Feicorte é um grande encontro da pecuária, de todas as raças e criadores. Está cada vez mais fortalecida e isso se reflete na participação de novas raças e de outros setores que estão envolvidos no dia a dia das fazendas – avalia Carla Tuccilio gerente do Agrocentro, organizadora do evento.

  • Documento atesta liberação da soja

    Foi com barulho que o governo federal anunciou a liberação chinesa para a segunda geração de soja transgênica da Monsanto, na semana passada.
    Mas foi só ontem, de posse do documento oficial confirmando o aval à tecnologia, que a empresa se manifestou publicamente sobre o assunto.
    Com a aprovação, a multinacional começa a preparação comercial para o lançamento em larga escala da Intacta RR2 já na safra 2013/2014. Agora, entram em debate outras duas questões. Uma é o preço – os valores a serem cobrados ainda não foram definidos, mas o mercado projeta cerca de R$ 115 por hectare. A outra é o rendimento. A multinacional garante que a tecnologia oferece tolerância ao glifosato, imunidade às principais lagartas – incluindo a helicoverpa armigera, que causou mais de R$ 2 bilhões em prejuízos no país – e produtividade superior.

  • Recurso tenta manter assembleia na Cotrijui

    Na tentativa de reverter a decisão da Justiça, que suspendeu a realização de uma assembleia geral marcada para o último dia 7, o movimento Terceira Via – composto por associados da Cotrijui que querem a destituição da atual diretoria – entrou ontem com recurso.
    O advogado da Terceira Via, Julimar Crescente, observa que a convocação da assembleia geral respeitou o que está previsto no estatuto da entidade e rejeita a acusação de irregularidades de assinaturas, argumentos da diretoria da cooperativa.

  • Com 99% das lavouras já colhidas, a Argentina soma produção de 48,10 milhões de toneladas de soja, segundo dados da Bolsa de Cereais da Argentina. O volume final deve chegar a 48,5 milhões de toneladas do grão.

  • A Philip Morris Brasil tem novo presidente. Wagner Erne é formado em administração e já trabalhou nas áreas de marketing e vendas. O executivo retorna ao Brasil depois de ter passado mais de uma década em diferentes unidades da companhia na América Latina e na Europa.
    *Colaboraram Fernando Goettems e Joana Colussi

Fonte: Zero Hora

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